ar · tes | vi · su · ais

['aɾ.tɨʃ vi.zw'ajʃ] s. f. (Do Lat. artis, ’habilidade’, visuãlis)

 

1. Aquelas cujo objectivo é o tratamento da forma.

2. Aquelas em que o espírito toma maior parte que as mãos.

3. Habilidade ou conhecimento especial, desenvolvida de forma refletida e com uma finalidade, por oposição à natureza que é espontânea e irrefletida.

4. Termo moderno, mas impreciso, que engloba um conjunto alargado de disciplinas artísticas de várias subcategorias. A amplitude do seu âmbito dificulta qualquer tentativa de definição estanque. Algumas das suas disciplinas são: Desenho, Pintura, Gravura, Escultura, Assemblage, Colagem, Instalação, Happening, Performance, Fotografia, Videoarte, Animação, Land Art, Graffiti, Web Art.

A

ABSTRACIONISMO

Conceção artística segundo a qual as obras não imitam, quer nos seus meios quer nas suas finalidades, as aparências visíveis do mundo circundante. O final do século XIX tinha efetivamente utilizado meios figurativos para finalidades abstratas, no Simbolismo, e tinha utilizado meios abstratos para finalidades figurativas, no Neoimpressionismo. No século XX, o Fauvismo (Matisse) autonomizou as cores, o Cubismo (Picasso) autonomizou as formas e o Surrealismo (Tanguy) concebeu o modelo puramente interior. O abstracionismo do século XX dividiu-se inicialmente em duas fortes tendências, geométrica e informal (lírico), que se desenvolveram e diferenciaram incessantemente, nas diversas modalidades (Ex: Nadir Afonso, Artur Rosa, Eurico Gonçalves).

[FRÓIS, J. P.; GONÇALVES, R. M.; MARQUES, E. (2011) “Primeiro Olhar – Programa Integrado de Artes Visuais – Caderno do Professor”. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian. p 193]

ACTION-PAINTING

Action-painting – Expressão que se pode traduzir por “pintura de ação” e que designa uma corrente artística americana que se desenvolveu a partir de 1945. A estética da “action-painting” baseia-se na ideia de uma expressividade imediata e psicologicamente intensa, obtida por meio de rápidas aplicações da tinta sobre a tela, onde a espontaneidade do gesto (diretamente ligada aos impulsos psíquicos do autor) substitui a tradicional atenção aos aspectos imitativos, simbólicos e compositivos . Os principais praticantes da “action-painting” colheram lições na ritmicidade do Cubismo Analítico, na veemência do Expressionismo e no automatismo psíquico puro do Surrealismo. A presença dos surrealistas europeus nos Estados Unidos, durante a Guerra 1939-1945, foi decisiva para a eclosão da “action-painting”.

[FRÓIS, J. P.; GONÇALVES, R. M.; MARQUES, E. (2011) “Primeiro Olhar – Programa Integrado de Artes Visuais – Caderno do Professor”. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian. p 193]

ÁGUA-FORTE

Gravura a água-forte é o processo de criar um desenho numa chapa de metal, por meio da ação de um ácido. O desenho é inciso sobre uma camada de verniz, expondo a chapa metálica. A chapa é então submersa num banho ácido, que ataca as linhas do desenho. Quanta mais tempo a chapa estiver submersa, mais fundas se tornam as linhas (Ex: Bartolomeu Cid dos Santos).

[FRÓIS, J. P.; GONÇALVES, R. M.; MARQUES, E. (2011) “Primeiro Olhar – Programa Integrado de Artes Visuais – Caderno do Professor”. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian. p 193]

ALEGORIA

Ficção que apresenta uma coisa para dar ideia de uma outra. Pintura ou escultura que representa ideias ou qualidades abstratas (por exemplo, a Fortaleza) por meio de um objeto ou figura, ou por um agrupamento de figuras. Desempenhou grande papel na arte clássica e neoclássica. No Renascimento eram associadas à mitologia e literatura greco-romanas (Ex: “Alegoria da Primavera”, de Botticelli).

[CALADO, M.; SILVA, J. H. Pais da (2005) “Dicionário de Termos de Arte e Arquitetura”. Lisboa: Editorial Presença. p 22]

ALTO-RELEVO

Escultura que apresenta um relevo muito saliente sem todavia se destacar do fundo, intermediário entre o baixo-relevo e a escultura em vulto. Muitas esculturas impropriamente designadas sob o nome de baixo-relevo são na realidade altos-relevos (por exemplo, a “Marselhesa” de Rude).

[CALADO, M.; SILVA, J. H. Pais da (2005) “Dicionário de Termos de Arte e Arquitetura”. Lisboa: Editorial Presença. p 25]

AMARELO

É uma das cores primárias e uma das sete cores do espectro solar, que comporta grande variedade de matizes, desde o amarelo-dourado ao amarelo-limão, até ao amarelo-pilha. É uma cor quente. A cor complementar é o Roxo. O Amarelo provoca sensações de calor e também de frustração. Fatiga a vista. Extrai-se de substâncias minerais ou vegetais. Entre as cores minerais, pode citar-se o ocre amarelo (mistura natural de argila e de óxido de ferro); o amarelo de crómio (cromato de chumbo), que, como todas as cores à base de chumbo tem o inconveniente de enegrecer). Entre as cores vegetais, a tinta amarela e os escambroeiros dos tintureiros.

[CALADO, M.; SILVA, J. H. Pais da (2005) “Dicionário de Termos de Arte e Arquitetura”. Lisboa: Editorial Presença. p 25]

ANUNCIAÇÃO

Mensagem do anjo Gabriel à Virgem Maria a anunciar-lhe que ela dará à luz o Messias.

[FRÓIS, J. P.; GONÇALVES, R. M.; MARQUES, E. (2011) “Primeiro Olhar – Programa Integrado de Artes Visuais – Caderno do Professor”. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian. p 193]

ARABESCO

Ornamentos à maneira árabe, quer dizer, onde não há figuras humanas, simples combinações de linhas geométricas e de formas vegetais, suscetíveis, aliás, de uma variedade infinita. É usual em decorações de estuque, azulejo ou tapeçarias.

[CALADO, M.; SILVA, J. H. Pais da (2005) “Dicionário de Termos de Arte e Arquitetura”. Lisboa: Editorial Presença. p 34]

ARESTA

Linha de ângulo formado pela intersecção de duas superfícies.

[CALADO, M.; SILVA, J. H. Pais da (2005) “Dicionário de Termos de Arte e Arquitetura”. Lisboa: Editorial Presença. p 39]

ARTE PELA ARTE

“Art pour l’art” ou “Art for art’s sake” – esteticismo que deriva de Baudelaire e Theóphile Gautier, que defendem que as atividades artísticas não necessitam de justificação moral ou social, ao contrário do que defendem os Realistas como Courbet e também o filósofo Proudhon.

[CALADO, M.; SILVA, J. H. Pais da (2005) “Dicionário de Termos de Arte e Arquitetura”. Lisboa: Editorial Presença. p 43]

ARTE ABSTRATA

Ver Abstracionismo.

ARTE CINÉTICA

Arte que incorpora um elemento de movimento irregular ou mecânico, ou que dá a ilusão do movimento por meio de técnicas óticas (op art). Foi usada pela primeira vez pelos construtivistas em inícios do séc. XX, e foi depois popularizada por Alexandre Calder com os seus Mobiles nos anos trinta, mas chegou a uma completa notoriedade nos anos cinquenta do século XX (Ex: Nadir Afonso).

[FRÓIS, J. P.; GONÇALVES, R. M.; MARQUES, E. (2011) “Primeiro Olhar – Programa Integrado de Artes Visuais – Caderno do Professor”. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian. p 193]

ARTE CONCEPTUAL

Designação dada a várias formas de arte em que a ideia para uma obra é considerada mais importante que a própria obra. A noção remonta a Marcel Duchamp, mas só a partir da década de 1960 é que se tornou um fenómeno internacional, nomeadamente na exposição que teve lugar no Institute of Contemporary Art, em Londres, em 1969, intitulada “When Attitudes become form”. Fotografias, textos, mapas, diagramas, cassetes áudio e vídeo foram usadas e muitas vezes os artistas deliberadamente tornam as suas produções pouco interessantes visualmente para chamarem a atenção para a ideia.

[CALADO, M.; SILVA, J. H. Pais da (2005) “Dicionário de Termos de Arte e Arquitetura”. Lisboa: Editorial Presença. p 43]

ARTE DÉCO

Designação dada ao estilo que sucede na Europa à Arte Nova, assim chamado a partir da “Exposition Internationale des Arts Décoratifs et Industriels Modernes”, que teve lugar em Paris, em 1925. Usou também materiais de luxo – laca, bronze, marfim, ébano – mas tratou-os em formas maciças, muito simples. Na decoração arquitetónica usa linhas geométricas angulosas e suprime a curva que caracterizara a Arte Nova.

[CALADO, M.; SILVA, J. H. Pais da (2005) “Dicionário de Termos de Arte e Arquitetura”. Lisboa: Editorial Presença. p 42-43]

ARTE FIGURATIVA

Designa uma forma de arte em que são reconhecíveis as figuras ou objetos representados.

[CALADO, M.; SILVA, J. H. Pais da (2005) “Dicionário de Termos de Arte e Arquitetura”. Lisboa: Editorial Presença. p 165]

ARTE NOVA

Estilo decorativo e assimétrico, que se espalhou por toda a Europa nas duas últimas décadas do século XIX e primeira década do século XX. Utiliza todo o tipo de formas ondulantes, como, por exemplo, chamas e cabelos flutuantes de figuras femininas estilizadas. A grande inovação da Arte Nova foi a rejeição do Historicismo do século XIX. É, por um lado, um rebento do Simbolismo, e por outro lado uma ramificação do movimento Arts and Crafts. Foi-lhe dado este nome a partir de uma loja que abriu em Paris, por volta de 1895, que vendia objetos originais e novos. 0 ]ungenstil é o estilo equivalente na Alemanha e Áustria; em Inglaterra, Modern Style; em Itália, Stile Liberty; em Espanha, Modernismo; em Franca, Art Nouveau (Ex: Lalique).

[FRÓIS, J. P.; GONÇALVES, R. M.; MARQUES, E. (2011) “Primeiro Olhar – Programa Integrado de Artes Visuais – Caderno do Professor”. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian. p 193]

ARTESÃO

Artífice: operário que exerce um ofício manual (olaria, cestaria, estanhos, etc.)

[CALADO, M.; SILVA, J. H. Pais da (2005) “Dicionário de Termos de Arte e Arquitetura”. Lisboa: Editorial Presença. p 44]

ARTISTA

Designação geral aplicada a todo o criador na área das belas-artes. Por oposição ao artesão que realiza, o artista é o que concebe, inventa a obra de arte. Pode ser um só com o executante, realizando as conceções próprias, sem o auxílio de um prático.

[CALADO, M.; SILVA, J. H. Pais da (2005) “Dicionário de Termos de Arte e Arquitetura”. Lisboa: Editorial Presença. p 45]

ASSEMBLAGE

Termo francês criado em 1953 por Jean Dubuffet para descrever obras de arte feitas de fragmentos de materiais, naturais ou não. Alguns críticos defendem que o termo só deve ser aplicado a peças tridimensionais e não a colagens, mas não é usado com precisão e já foi aplicado a ambientes ou fotomontagens. Ganhou importância com a exposição que teve lugar em Nova Iorque, no MOMA, em 1961, intitulada “The Art of Assemblage”.

[CALADO, M.; SILVA, J. H. Pais da (2005) “Dicionário de Termos de Arte e Arquitetura”. Lisboa: Editorial Presença. p 46]

AUTORRETRATO

Retrato realizado pelo próprio artista, recorrendo normalmente a um espelho. Alguns artistas recorreram a eles repetidamente ao longo da sua vida, como acontece com Rembrandt ou Van Gogh.

[CALADO, M.; SILVA, J. H. Pais da (2005) “Dicionário de Termos de Arte e Arquitetura”. Lisboa: Editorial Presença. p 48]

AZUL

É uma das três cores primárias situada no espectro solar entre o verde e o violeta. É uma cor fria. A cor complementar é o Laranja. O Azul provoca sensações de calma, tranquilidade e por vezes tristeza. Na pintura usam-se muitas variedades de azuis, extraídos de diferentes substâncias metálicas ou vegetais. O azul ultramarino, assim chamado, porque outrora se importava do Levante, extrai-se do lápis-lazúli; tinha o inconveniente de ser muito caro; foi substituído pelo azul ultramarino artificial, inventado por Guimet. Para além deste tom há ainda o azul da prússia e o azul-cobalto, ambos de origem mineral. Entre os azuis de origem orgânica ou vegetal, pode citar-se o índigo, tirado da Índia, que é usado na tintura de sedas, algodão e das lãs.

[CALADO, M.; SILVA, J. H. Pais da (2005) “Dicionário de Termos de Arte e Arquitetura”. Lisboa: Editorial Presença. p 49]

B

BAIXO-RELEVO

Escultura muito utilizada na decoração arquitetónica na qual as figuras não sobressaem no seu volume total, ficando aderentes à superfície a que se aplicam, com relevo menos acentuado que o meio-relevo e o alto-relevo.

[CALADO, M.; SILVA, J. H. Pais da (2005) “Dicionário de Termos de Arte e Arquitetura”. Lisboa: Editorial Presença. p 52]

BARROCO

Termo de origem portuguesa, que refere uma pérola defeituosa, mas grande. Passou a ser utilizado pelos historiadores para designar o estilo que prevaleceu, na arte europeia ocidental, entre 1580 e inícios do século XVIII, tendo em conta que este estilo artístico foi essencialmente caprichoso e floreado. Na realidade, o Barroco combinou vários elementos: uma revolta contra o Maneirismo e a sua intelectualidade, elitismo e frieza de emoções, acrescentando o desejo de servir o impulso religioso da Contrarreforma, criando temas religiosos acessíveis às grandes massas, e também um interesse no movimento dinâmico e nos efeitos teatrais. As mais típicas obras de arte produzidas durante o Barroco juntaram arquitetura, escultura e pintura de modo a criar uma síntese, que causa um impacto maior do que se estas três modalidades fossem tomadas separadamente. Na pintura, explora dramaticamente os efeitos do claro-escuro (Ex: Rembrandt).

[FRÓIS, J. P.; GONÇALVES, R. M.; MARQUES, E. (2011) “Primeiro Olhar – Programa Integrado de Artes Visuais – Caderno do Professor”. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian. p 193-194]

BIENAL

Exposição de arte internacional, realizada de dois em dois anos e adjudicada por um comité internacional. A primeira e mais famosa é a Bienal de Veneza, instituída em 1895 como “Exposição Internacional de Arte da Cidade de Veneza”, e que afirmava representar “as atividades mais nobres do espírito moderno, sem distinção de país”. Na primeira edição da Bienal estiveram representados artistas de 16 nacionalidades diferentes. A exposição rapidamente adquiriu prestígio em todo o mundo, e após ser retomada em 1948, depois da Segunda Guerra Mundial, tornou-se líder na exposição da obra de artistas das vanguardas internacionais estabelecidas. Outras bienais foram inauguradas segundo o modelo de Veneza, tais como a prestigiada Bienal de São Paulo, fundada em 1951, e a Bienal de Paris, fundada em 1959.

[CHILVERS, I.; FARR, D.; OSBORNE, H. (1997) “The Oxford Dictionary of Art”. Oxford: Oxford University Press. p 102]

C

CADAVRE-EXQUIS

Técnica criativa inventada pelos surrealistas, que explora a mística do acidental. Foi imaginado em 1925 pelos surrealistas e definido mais tarde como um jogo de papel dobrado, que consiste em compor uma frase ou desenho por várias pessoas, sem que nenhuma delas possa ter em conta as colaborações precedentes. Um exemplo, tornado clássico e que deu nome ao jogo, vem da primeira frase obtida desta forma: “o cadáver esquisito beberá o vinho novo”. Os primeiros “cadavre-exquis” surgiram na poesia e tornaram-se públicos em 1927, sob segredo quanto ao facto de tratar-se do resultado de um jogo. A técnica foi depois aplicada ao desenho.

[FRÓIS, J. P.; GONÇALVES, R. M.; MARQUES, E. (2011) “Primeiro Olhar – Programa Integrado de Artes Visuais – Caderno do Professor”. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian. p 194]

CÂNONES EGÍPCIOS

Conjunto de regras simbólicas que, desde muito cedo, definiam as formas de representação na arte egípcia quanto ao tema, quanto à forma das figuras e quanto ao significado. A arte egípcia tinha por objetivo transmitir ideias eternas e representar o conhecido de uma forma essencialmente simbólica: preocupações de correspondência entre o que observamos e a forma representada não existiam e o artista trabalhava sob anonimato. A premissa inicial da arte egípcia era a da raridade da representação e o uso da arte em contextos de prestígio, dos quais o mais importante era a adoração dos deuses. Estes eram representados sob a forma de figuras humanas. O plano pictural era bidimensional; raras vezes havia sugestão de profundidade e os indicadores comuns de perspetiva e de movimento estavam praticamente ausentes. A linha de contorno era o elemento mais importante na visualização de qualquer forma bi ou tridimensional e a coloração não tinha particular importância. Na representação de um objeto, a visão das partes mais características era combinada numa só representação, surgindo, por exemplo, o tronco do homem de frente e os pés de lado. Os temas eram universais e não históricos.

[FRÓIS, J. P.; GONÇALVES, R. M.; MARQUES, E. (2011) “Primeiro Olhar – Programa Integrado de Artes Visuais – Caderno do Professor”. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian. p 194]

CARCAZ

Cesto das flechas.

[FRÓIS, J. P.; GONÇALVES, R. M.; MARQUES, E. (2011) “Primeiro Olhar – Programa Integrado de Artes Visuais – Caderno do Professor”. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian. p 194]

CASTOR (CASTOR E PÓLUX)

Figura da mitologia grega. Filho de Zeus e irmão de Pólux. Segundo uma tradição, só Pólux era imortal e, em sinal de amor fraterno, decidiu partilhar a imortalidade com Castor, vivendo alternadamente na terra e no Olimpo. Tornaram-se os deuses protetores dos viajantes e os deuses da hospitalidade, representados sobretudo como figuras equestres sob cuja égide se realizavam os concursos gímnicos e as corridas de carros.

[FRÓIS, J. P.; GONÇALVES, R. M.; MARQUES, E. (2011) “Primeiro Olhar – Programa Integrado de Artes Visuais – Caderno do Professor”. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian. p 194]

CICLOS DE VIDA

Períodos de um certo número de anos de um ser vivo que se diferenciam entre si pelo estádio de desenvolvimento em que este se encontra. No homem, contam-se os ciclos da infância, da juventude, da idade adulta e da velhice e cada ciclo de vida corresponde a uma geração.

[FRÓIS, J. P.; GONÇALVES, R. M.; MARQUES, E. (2011) “Primeiro Olhar – Programa Integrado de Artes Visuais – Caderno do Professor”. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian. p 194]

CÍRCULO CROMÁTICO

Ou roda das cores ou triângulo cromático. Figura composta por cores primárias e secundárias. As cores primárias ou elementares são aquelas que não podem ser obtidas pela associação de outras cores: o amarelo, o vermelho e o azul. As cores secundárias são aquelas que se alcançam a partir da junção de duas cores primárias: laranja, verde e violeta. As cores terciárias são aquelas que se alcançam a partir da mistura das primárias e secundárias e, de mistura em mistura, alcançam-se as restantes cores. No círculo cromático coloca-se entre cada duas cores primárias a coloração produzida pela mistura das mesmas (o laranja, o verde e o violeta). As cores que se opõem diretamente umas às outras no circulo cromático são denominadas complementares, as quais têm a propriedade de se atenuar mutuamente quando misturadas. Quando colocadas lado a lado, as cores complementares, em geral, intensificam-se mutuamente. No circulo cromático só aparecem cores primárias e secundárias, chamadas cores puras ou luminosas.

[FRÓIS, J. P.; GONÇALVES, R. M.; MARQUES, E. (2011) “Primeiro Olhar – Programa Integrado de Artes Visuais – Caderno do Professor”. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian. p 194]; [Itten, J. (1997) “The Art of Color: The Subjective Experience and Objective Rationale of Color”. Nova-Iorque: John Wiley & Sons]

CLARO-ESCURO

Do italiano “chiaroscuro”. Técnica figurativa surgida no século XVI que valoriza o contraste de luz e sombras em detrimento da cor local e do contorno.

[FRÓIS, J. P.; GONÇALVES, R. M.; MARQUES, E. (2011) “Primeiro Olhar – Programa Integrado de Artes Visuais – Caderno do Professor”. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian. p 195]

COBRA, GRUPO

Movimento revolucionário que teve início em Paris, em 8 de novembro de 1948, no café Notre-Dame, com a assinatura do manifesto, “La Cause Était Entendue” (“A Causa foi Ouvida”). Reuniu diversos artistas, de diferentes nacionalidades, entre os quais se destacaram os membros fundadores Asger Jorn (Copenhaga), os poetas surrealistas Christian Dotremont e Joseph Noiret (Bruxelas) e Karel Appel, Constant e Corneille (Amesterdão). O nome do grupo foi criado por Christian Dotremont e derivou das iniciais dos nomes das três cidades: Copenhaga (Co), Bruxelas (br) e Amesterdão (a) – CoBrA. Os membros do grupo Cobra defenderam uma pintura que nada devia ao intelectualismo, baseada na experimentação da liberdade, dos valores naturais e instintivos do paganismo. O grupo teve a sua última exposição em Liège, em 1951.

[CALADO, M.; SILVA, J. H. Pais da (2005) “Dicionário de Termos de Arte e Arquitetura”. Lisboa: Editorial Presença. p 99-100]

COLAGEM

écnica que consiste em fixar sobre um suporte (tela, cartão, papel, etc.) qualquer tipo de materiais, sobretudo papel. Foi utilizada primeiro por Braque e Picasso nas suas obras cubistas e depois pelos surrealistas Max Ernst, Jean Arp e outros (Amadeo de Souza-Cardoso, Fernando Azevedo).

[FRÓIS, J. P.; GONÇALVES, R. M.; MARQUES, E. (2011) “Primeiro Olhar – Programa Integrado de Artes Visuais – Caderno do Professor”. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian. p 195]

CONOTAÇÃO

 Sentido que um enunciado ou objeto sugere ou evoca em função do contexto, da situação ou das referências culturais e pessoais. Corresponde a um momento interpretativo do signo em que as significações se deslocam para o campo do subjetivo.

[FRÓIS, J. P.; GONÇALVES, R. M.; MARQUES, E. (2011) “Primeiro Olhar – Programa Integrado de Artes Visuais – Caderno do Professor”. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian. p 195]

CONSTRUTIVISMO

Corrente que pretende colocar a criação artística ao serviço da sociedade, de acordo com uma tendência oposta à dos suprematistas que, pelo menos no início, gostariam de se isolar na experimentação pictórica. O Suprematismo foi iniciado por Kazimir Malevitch (1878-1935), que expôs em 1913 o quadro “Quadrado Negro sobre Fundo Branco” e redigiu um manifesto em favor da arte autónoma, ou seja, da arte que não representasse a realidade e que apenas explorasse a expressividade das formas visuais sem figuração ou representação pictórica. Para os construtivistas, a arte deve apoiar-se na tecnologia e, ao contrário da pratica artística tradicional, os artistas devem empenhar-se em grandes projetos que visem introduzir a arte na vida, de acordo com os votos formulados por Naum Gabo e Anton Pevsner, signatários do “Manifesto de Realismo” (1920). Aleksandr Rodtchenko (1891-1956) cria cartazes de propaganda em que sacrifica à necessidade de imediatismo comunicativo uma linguagem mais experimental, inserindo fotografias realistas em construções geométricas de grande austeridade.

[FRÓIS, J. P.; GONÇALVES, R. M.; MARQUES, E. (2011) “Primeiro Olhar – Programa Integrado de Artes Visuais – Caderno do Professor”. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian. p 195]

CONTRASTES DE COR

Os órgãos dos sentidos do ser humano, nomeadamente os olhos, funcionam por comparação. Na perceção que temos das cores, os efeitos coloridos são intensificados ou enfraquecidos pelo contraste. O contraste não é mais do que a diferença percebida entre dois efeitos coloridos. Quando essa diferença atinge o seu grau máximo estamos na presença do que se denomina por contraste polar ou diametral. Existem sete tipos de contrastes:

  • Contraste de Cor em Si (Matiz) – resulta do efeito combinado de três ou mais matizes na sua máxima saturação e brilho. O contraste provocado pelos matizes amarelo, vermelho e azul (cores primárias) é o contraste de matiz mais acentuado – contraste polar.

O contraste provocado pelas cores laranja, verde, violeta (cores secundárias) é menos acentuado do que o das cores primárias.

Quando as cores ficam separadas por preto ou branco o efeito é atenuado e acentua-se o carácter individual de cada matiz. Se é o branco a separar as cores, atenua-se o brilho das cores adjacentes e elas ficam escurecidas. No caso da separação ser feita por negro, este torna as cores adjacentes mais claras.

É vulgar encontrar o contraste de matizes no artesanato, na arte popular e em alguma arte sacra da Idade Média e do Renascimento.

  • Contraste de Claro-Escuro – o amarelo é a cor pura mais luminosa e o violeta é a mais escura. Entre elas estão o laranja, o vermelho, o verde e o azul.

Quando as cores se misturam com branco (aclaradas) ou negro (escurecidas) perdem parte do seu brilho e luminosidade.

O contraste de claro-escuro é frequentemente utilizado de forma a estabelecer relações de volume e/ou de espaço.

Podemos observar a utilização deste tipo de contraste nas gravuras, nas águas-fortes, nas pinturas de naturezas-mortas e em algumas pinturas do Renascimento, do Barroco e do Cubismo.

  • Contraste de Quente-Frio – considera-se que as cores quentes irradiam força e aproximam-se do observador prendendo-lhe o olhar sendo que, pelo contrário, as cores frias se afastam do observador, dirigindo-se para o seu próprio centro. Este contraste é muito usado para sugerir proximidade e afastamento. Por exemplo, nas pinturas das paisagens, representam-se os objetos mais distantes com tons mais frios para acentuar a distância, devido ao efeito de filtro que a atmosfera provoca.

As cores amarelo, amarelo-laranja, laranja, vermelho-laranja, vermelho, vermelho-violeta são geralmente classificadas como cores quentes.

As cores amarelo-verde, verde, azul-verde, azul, azul-violeta e violeta são classificadas como cores frias.

  • Contraste de Cores Complementares – cor complementar é a “negativa” de qualquer cor. Assim, cada cor e a sua complementar formam um verdadeiro contraste. Quando se justapõe uma cor e a sua complementar, as duas interagem, intensificando-se pelo contraste simultâneo. A matiz de cada uma delas parece mais saturada aos olhos do observador, por influência da outra cor.

amarelo

violeta

azul

laranja

vermelho

verde

(vermelho + azul)

(vermelho + amarelo)

(amarelo + azul)

Contraste Simultâneo – o contraste simultâneo consiste em duas superfícies contrastantes adjacentes que se intensificam pela sua diferença na direção complementar uma da outra. Assim, mesmo as tonalidades que parecem semelhantes quando observadas separadamente, juntas têm um efeito visual diferente. Quando as duas cores justapostas não são complementares, cada uma delas vai tender para complementar a outra.

Por exemplo, se colocarmos lado a lado um quadrado amarelo esverdeado e um amarelo avermelhado, que observados em separado parecem amarelos puros, quando justapostos tendem para os opostos e realçam as diferenças entre si.

Este tipo de contraste pode observar-se, por exemplo, nalgumas pinturas de arte sacra da Idade Média e do Renascimento e nalgumas obras de Van Gogh.

  • Contraste de Qualidade (Saturação) – a saturação mede o grau de pureza de uma cor. O contraste de qualidade é o contraste entre uma cor pura saturada e um tom da mesma cor diluído (pela mistura com o branco, o negro, o cinzento ou a sua complementar). Este tipo de contraste pode observar-se, por exemplo, em algumas pinturas do Maneirismo e em certas obras de Matisse e Paul Klee.
  • Contraste de Quantidade (Extensão) – o contraste de quantidade trata da relação de grandeza entre duas manchas de cor. A força do efeito de uma cor é determinada pela dimensão e luminosidade da mancha de cor. Para obter harmonia, quanto maior for o valor de luminosidade de uma cor menor deve ser a extensão da área em que ela é aplicada. A forma de se medir a luminosidade de uma cor face a outra passa por comparar as cores puras sobre um fundo cinzento neutro de claridade média. Deste modo, apercebemo-nos de que os efeitos luminosos das diversas cores são diferentes.

Como se pode verificar, a luminosidade diminui de cima para baixo e em cada linha da esquerda para a direita, ou seja, o amarelo é a cor mais luminosa e o violeta a menos luminosa.

[Itten, J. (1997) “The Art of Color: The Subjective Experience and Objective Rationale of Color”. Nova-Iorque: John Wiley & Sons]

COR

A cor pode ser analisada segundo duas perspetivas aparentemente opostas mas que estão diretamente relacionadas: cor-luz e cor-pigmento. Estas duas perspetivas correspondem a dois processos diferentes de formação das cores que se denominam por mistura aditiva (cor-luz) e mistura subtrativa (cor-pigmento). Em cada um dos processos definem-se cores primárias e secundárias diferentes e significados distintos para o branco e o negro.

As qualidades que caracterizam uma cor são a matiz, o brilho e a saturação.

O matiz de uma cor é determinada na cor-luz pelo comprimento de onda do feixe de luz dominante que a representa no prisma de refração de Newton (medido em nanómetros – nm).

Cor Comprimento de Onda (nm)
Vermelho 800 - 650
Laranja 640 - 590
Amarelo 580 - 550
Verde 540 - 490
Azul 480 - 440
Roxo ou Violeta 430 - 390

A sensação que a cor produz no olho humano depende do seu comprimento de onda.

O sistema de cor-luz é o que é usado nos equipamentos digitais – monitores de computador, televisões, consolas – para emitir luz cujo comprimento de onda determina a cor que percecionamos.

Cor Primária | Cor-luz Cor complementar aditiva
Azul Amarelo
Vermelho Azul Cião
Verde Magenta

Em tudo o que é material a cor é dada pelo pigmento. O pigmento não é uma cor mas sim a substância que cobre uma superfície e cujas propriedades levam a que essa mesma superfície nos dê a sensação de uma determinada matiz.

Cada pigmento colorido quando sobre ele incide a luz, absorve um conjunto de radiações e reflete a cor que não é absorvida. Por exemplo, o pigmento vermelho absorve todas as radiações com exceção da vermelha.

Na generalidade das pinturas, a cor é obtida pela mistura subtrativa de pigmentos, ou seja, cada tonalidade é obtida misturando os pigmentos das tintas que lhes dão origem e pintando a superfície em causa com essa cor previamente preparada.

Cor Primária | Cor-pigmento Cor complementar subtrativa
Amarelo Roxo ou Violeta
Azul Laranja
Vermelho Verde

A exceção a esta regra encontra-se nas obras Impressionistas e Pontilhistas onde as cores se formam nos olhos do observador por mistura cromática aditiva das miríades de pequenos pontos de cores primárias que o artista colocou na tela.

[Itten, J. (1997) “The Art of Color: The Subjective Experience and Objective Rationale of Color”. Nova-Iorque: John Wiley & Sons]

CORES ANÁLOGAS

São as cores que ficam lado a lado no círculo cromático.

[Itten, J. (1997) “The Art of Color: The Subjective Experience and Objective Rationale of Color”. Nova-Iorque: John Wiley & Sons]

CORES COMPLEMENTARES

As cores complementares são obtidas a partir da soma de duas primárias e constituem complementar da primária que não entrou na composição. Nas cores pigmento as suas complementares ficam em posições opostas no círculo cromático. As cores complementares, quando misturadas, atenuam-se mutuamente. As cores complementares, quando colocadas lado a lado, intensificam-se mutuamente.

[Itten, J. (1997) “The Art of Color: The Subjective Experience and Objective Rationale of Color”. Nova-Iorque: John Wiley & Sons]

CORES FRIAS

As cores frias são as que têm um comprimento de onda menor (verde, azul, violeta), provocando uma reação de contração sobre o observador. Dão a sensação de distância dos objetos.

[Itten, J. (1997) “The Art of Color: The Subjective Experience and Objective Rationale of Color”. Nova-Iorque: John Wiley & Sons]

CORES NEUTRAS

Na combinação subtrativa os papéis dos pigmentos negro e branco são diferentes dos da cor-luz correspondente. Ao juntar ao branco progressivamente pequenas quantidades de negro, vão surgindo diferentes tons de cinza cada vez mais escuros até que chegamos ao negro. O pigmento negro vai absorver todas as cores pelo que não há qualquer luz refletida pela superfície. É por esse motivo que o negro é “escuro” – ausência de luz refletida.

O pigmento branco é o que absorve menos tipos de luz pelo que a luz branca que incide é quase totalmente refletida e é também por isso que é a cor mais brilhante.

O branco é gerado pela ausência de qualquer cor enquanto o negro corresponde à presença de todas as cores.

Na mistura aditiva (cor-luz) o branco é gerado pela combinação de todas as cores e o negro é gerado pela ausência de luz.

[Itten, J. (1997) “The Art of Color: The Subjective Experience and Objective Rationale of Color”. Nova-Iorque: John Wiley & Sons]

CORES PRIMÁRIAS

As cores primárias aditivas (cor-luz) são aquelas que dão origem a todas as outras cores. Qualquer matiz de cor-luz pode ser obtido misturando as quantidades adequadas dos matizes vermelho, azul e verde. Se as ondas luminosas correspondentes às cores primárias aditivas forem combinadas com intensidades iguais, obtém-se a sensação de luz branca. As cores primárias subtrativas ou cores pigmento primárias (cor-pigmento), também conhecidas por “cores fundamentais” são aquelas que não podem ser obtidas a partir da mistura de outras cores. São o vermelho, o amarelo e o azul e podem ser misturadas em quantidades variáveis para obter quase todas os matizes. Se as três cores pigmento primárias forem misturadas em quantidades iguais, teoricamente resultará o preto.

[Itten, J. (1997) “The Art of Color: The Subjective Experience and Objective Rationale of Color”. Nova-Iorque: John Wiley & Sons]

CORES QUENTES

As cores quentes são as que têm um comprimento de onda maior (vermelho, laranja, amarelo), provocando uma reação de expansão sobre o observador. Dão a sensação de proximidade dos objetos.

[Itten, J. (1997) “The Art of Color: The Subjective Experience and Objective Rationale of Color”. Nova-Iorque: John Wiley & Sons]

CORES SECUNDÁRIAS

Obtêm-se pela mistura das cores primárias em quantidades iguais (cor-pigmento) ou com intensidades iguais (cor-luz).

[Itten, J. (1997) “The Art of Color: The Subjective Experience and Objective Rationale of Color”. Nova-Iorque: John Wiley & Sons]

Mistura de Cores Primárias Aditivas | Cor-luz Cor secundária
Azul + Verde Azul Cião
Azul + Vermelho Magenta
Verde + Vermelho Amarelo
Mistura Cores Primárias Subtrativas | Cor-pigmento Cor secundária
Azul + Amarelo Verde
Amarelo + Vermelho Laranja
Azul + Vermelho Roxo ou Violeta

CROMATISMO HERÁLDICO

Modo como o conjunto das cores surge numa imagem subordinado às exigências do texto que serve, como nas iluminuras. As pinturas medievais usavam cores nomeáveis para serem controladas segundo prescrições, geralmente da Igreja ou da Nobreza. A pintura egípcia devia colorir, obrigatoriamente, os corpos dos homens com ocre vermelho e o das mulheres com ocre amarelo; na China, o amarelo era reservado ao Imperador. Não se trata aí de uma escolha individual do artista, nem de um efeito decorativo. Trata-se das leis de códigos simbólicos das cores, estabelecidos por quase todas as civilizações. (Ex: Egito, Idade Media)

[FRÓIS, J. P.; GONÇALVES, R. M.; MARQUES, E. (2011) “Primeiro Olhar – Programa Integrado de Artes Visuais – Caderno do Professor”. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian. p 195]

CROMATISMO LOCAL

Modo como o conjunto das cores surge numa imagem, idêntico à cor do objeto representado, ou seja, sem a interferência de sombras, de reflexos ou de opções subjetivas. (Ex: Renascimento)

[FRÓIS, J. P.; GONÇALVES, R. M.; MARQUES, E. (2011) “Primeiro Olhar – Programa Integrado de Artes Visuais – Caderno do Professor”. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian. p 195]

CROMATISMO TÍMBRICO

Modo como o conjunto das cores surge numa imagem, diferente da cor do objeto representado, com o objetivo de obter certos efeitos de contraste: a cor adquire uma possibilidade de comunicação e de expressão abstrata, através das suas propriedades físicas: área, valor, contraste, pureza, intensidade. (Ex: Cubismo Sintético, Abstracionismo)

[FRÓIS, J. P.; GONÇALVES, R. M.; MARQUES, E. (2011) “Primeiro Olhar – Programa Integrado de Artes Visuais – Caderno do Professor”. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian. p 195]

CROMATISMO TONAL

Modo como o conjunto das cores surge na imagem dominado pelo confronto entre o claro e o escuro, ou seja, onde os reflexos e as sombras dominam o conjunto das cores dos objetos representados, alterando-as. (Ex: Barroco)

[FRÓIS, J. P.; GONÇALVES, R. M.; MARQUES, E. (2011) “Primeiro Olhar – Programa Integrado de Artes Visuais – Caderno do Professor”. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian. p 195]

CUBISMO

Picasso, considerando simultaneamente diversos modos de representação, nomeadamente Cézanne e a arte negro-africana, trabalhou, entre o outono de 1906 e a primavera de 1907, numa tela de grande formato, que veio a ser chamada “As Donzelas de Avinhão”. Representa cinco mulheres nuas. Os espaços entre os corpos estão preenchidos com cortinados. Não há espaços vazios. Tudo é objeto tangível. Este quadro marca o início do Cubismo, que repensa os signos representativos a partir dos volumes, opondo-se ao espaço vazio do Renascimento. Os sinais tornam-se semelhantes aos das crianças e aos do estilo do antigo Egito: olhos de frente, nariz de lado. Esta expressividade dos sinais conduziu à multiplicidade dos pontos de vista, abandonando-se a perspetiva unifocal, também renascentista. A partir de 1908, Picasso, juntamente com Braque, procedeu a uma investigação da representação dos volumes, que se processou em três fases: cezaniana (1908-1910), onde os objetos são representados de modo geométrico, como poliedros inteiriçados, evidenciando as suas faces e as arestas que distinguem as zonas iluminadas das zonas sombrias tal como fizera Cézanne; analítica (1910-1912), quando as facetas parecem autonomizar-se do objeto, apresentando em múltiplas direções, em trapezoides abertos, criando equívocos de figura-fundo e desencadeando uma forte sensação de ritmo; sintética (a partir de 1912), quando os planos se rebatem para a frontalidade, apresentados em áreas contornadas. Entre 1908 e 1912, o Cubismo, interessado na sugestão de volumes, retomou o cromatismo tonal, que fora abandonado pelos “fauves”.

A partir de 1912, o cromatismo tonal foi substituído pelo cromatismo tímbrico, reforçado pela colagem.

Além de Picasso e Braque, notabilizaram-se Fernand Léger, Robert Delaunay, Albert Gleizes, Juan Gris. (Ex: Amadeo de Souza-Cardoso, Almada Negreiros)

[FRÓIS, J. P.; GONÇALVES, R. M.; MARQUES, E. (2011) “Primeiro Olhar – Programa Integrado de Artes Visuais – Caderno do Professor”. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian. p 195-196]

D

DADA

Nome do movimento que surgiu em Zurique, em 1916, protagonizado por Hugo Ball, Tristan Tzara e Hans Arp, entre outros, que usaram textos e representações sem sentido como forma de protesto contra a tradição da civilização ocidental, responsável pela guerra que então avassalava a Europa. Marcel Duchamp adotou o nome Dada em Nova Iorque, o mesmo acontecendo em Berlim e Paris no pós-guerra. Nesta última cidade, o movimento conduziu ao Surrealismo.

[CALADO, M.; SILVA, J. H. Pais da (2005) “Dicionário de Termos de Arte e Arquitetura”. Lisboa: Editorial Presença. p 122]

DAGUERREÓTIPO

Primeiro processo fotográfico, cuja descoberta data de 1939, tomando o nome do seu inventor, Louis Jacques Mandé Daguerre: a imagem era um positivo direto sobre placa de cobre prateado e polido, que era sensibilizada com vapores de iodo ou de bromo.

[CALADO, M.; SILVA, J. H. Pais da (2005) “Dicionário de Termos de Arte e Arquitetura”. Lisboa: Editorial Presença. p 122]

DENOTAÇÃO

Significado literal. Sentido que um enunciado ou objeto sugere ou evoca por oposição a outros sentidos puramente contextuais, subjetivos ou figurados. Corresponde a um momento interpretativo do signo, em que as significações pertencem ao campo do óbvio e do senso comum.

[FRÓIS, J. P.; GONÇALVES, R. M.; MARQUES, E. (2011) “Primeiro Olhar – Programa Integrado de Artes Visuais – Caderno do Professor”. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian. p 196]

DESENHO

Impressão gráfica de uma expressão visual decalcada na experiência sensível e na autonomia da “superfície” como valor de espaço-tempo. Representação por meio de linhas (a lápis ou a tinta) sobre uma superfície. No entanto, em certas épocas, os desenhos foram enriquecidos com aguadas, aguarelados, etc. e portanto participaram da mancha, como os de Rembrandt ou de Turner.

[CALADO, M.; SILVA, J. H. Pais da (2005) “Dicionário de Termos de Arte e Arquitetura”. Lisboa: Editorial Presença. p 126]

DESIGN

Termo de origem inglesa que designa o projeto de um objeto a ser fabricado por processos industriais (Design Industrial), ou de cartazes e outros elementos ligados às artes gráficas (Design Gráfico ou Design de Comunicação).

[CALADO, M.; SILVA, J. H. Pais da (2005) “Dicionário de Termos de Arte e Arquitetura”. Lisboa: Editorial Presença. p 127]

DIÁLOGO

Método de pedagogia ativa baseado no diálogo socrático que acentua um modelo interrogativo, com o objetivo de promover a argumentação das ideias. O método consiste em duas fases complementares: a maiêutica, a arte de interrogar, e a ironia, a arte de simular uma certa ignorância de modo a levar os sujeitos a ampliar e a problematizar os seus raciocínios.

[FRÓIS, J. P.; GONÇALVES, R. M.; MARQUES, E. (2011) “Primeiro Olhar – Programa Integrado de Artes Visuais – Caderno do Professor”. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian. p 196]

DILEMA

Situação que implica uma escolha difícil entre duas possibilidades alternativas.

[FRÓIS, J. P.; GONÇALVES, R. M.; MARQUES, E. (2011) “Primeiro Olhar – Programa Integrado de Artes Visuais – Caderno do Professor”. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian. p 196]

DRAPEADO

Representação artística das pregas de um tecido.

[CALADO, M.; SILVA, J. H. Pais da (2005) “Dicionário de Termos de Arte e Arquitetura”. Lisboa: Editorial Presença. p 131]

DRIPPING

Técnica pictórica usada por Pollock (ver “action painting”) que consiste em colocar a tela no chão e, com paus ou colheres de pedreiro, deixar cair a tinta fluida, muitas vezes misturada com areia, vidros partidos ou outras matérias.

[CALADO, M.; SILVA, J. H. Pais da (2005) “Dicionário de Termos de Arte e Arquitetura”. Lisboa: Editorial Presença. p 131]

E

ENVIESAMENTO

Ver Pose.

EQUILÍBRIO

Princípio da composição assente no fenómeno da relação de força entre dois pesos que, solicitados por forças opostas, se anulam entre si num ponto ou centro de resistência. Diz-se que o equilíbrio é dinâmico, quando a relação de força entre esses dois pesos provoca a impressão de movimento ou de ritmo. Diz-se que o equilíbrio é estático, quando a relação de força entre esses dois pesos provoca a impressão de repouso ou de imobilidade.

[FRÓIS, J. P.; GONÇALVES, R. M.; MARQUES, E. (2011) “Primeiro Olhar – Programa Integrado de Artes Visuais – Caderno do Professor”. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian. p 196]

ESBATIMENTO

Modo de aplicação de tinta transparente sobre outra de cor diferente, deixando aparecer a camada inferior, mas dando-lhe aspeto irregular e velado.

[CALADO, M.; SILVA, J. H. Pais da (2005) “Dicionário de Termos de Arte e Arquitetura”. Lisboa: Editorial Presença. p 141]

ESBOÇO

Resultado gráfico do ato de esboçar. Primeiro estado de uma obra de arte. Este termo pode aplicar-se ao primeiro pensamento de um quadro, desenhado a traços largos.

[CALADO, M.; SILVA, J. H. Pais da (2005) “Dicionário de Termos de Arte e Arquitetura”. Lisboa: Editorial Presença. p 141]

ESMALTE

Substância vítrea colorida, opaca ou translúcida, aplicada em pó numa superfície e que solidifica depois de fundida a alta temperatura.

[FRÓIS, J. P.; GONÇALVES, R. M.; MARQUES, E. (2011) “Primeiro Olhar – Programa Integrado de Artes Visuais – Caderno do Professor”. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian. p 196]

ESPAÇO

Em termos artísticos, o espaço é a área ao redor, acima, e dentro de um objeto. O espaço real é tridimensional. O Espaço numa obra de arte refere-se a uma sensação de profundidade ou três dimensões. A área em torno dos objetos numa obra de arte é conhecido como espaço negativo, o espaço ocupado pelos objetos é conhecido como espaço positivo. A ilusão de espaço tridimensional numa obra de arte bidimensional é obtida através de técnicas de desenho em perspetiva e sombras. Existem seis formas de criar a ilusão de espaço numa superfície bidimensional:

  1. Sobreposição (ocorre quando os objetos que estão mais perto do observador bloqueiam a visão de objetos que estão mais longe por trás deles)
  2. Tamanho (os objetos que estão mais perto do observador são representados maiores do que os que estão mais distantes)
  3. Colocação na Superfície (os objetos que estão mais próximos aparecem no plano da imagem numa posição inferior em relação aos objetos que estão mais longe. A exceção são os objetos que são vistos de baixo – objetos voadores)
  4. Detalhe (os objetos que estão mais próximos são representados com maior detalhe do que os objetos mais longínquos)
  5. Cor e Valor (os tons mais escuros vão fazer com que os objetos pareçam mais próximos, enquanto os tons mais claros farão com que os objetos se afastem. As cores mais quentes aproximam os objetos enquanto as cores mais frias dão a sensação de que os objetos estão mais distantes)
  6. Perspetiva Linear – as regras geométricas de que faz uso a perspetiva linear são:
  1. O quadro é constituído pela intersecção do cone ótico com um plano vertical; é o que se produz quando se traça sobre um vidro o contorno dos objetos que vemos através dele;
  2. O quadro divide-se, assim, em duas partes: por cima, o céu e em baixo, o solo, um e outro separados pela linha do horizonte que fica à altura do olhar do observador;
  3. As linhas horizontais dos objetos, paralelas ao plano de intersecção, permanecem horizontais; analogamente, as linhas verticais permanecem verticais. As outras linhas que não são paralelas ao plano de intersecção dirigem-se todas para um mesmo ponto, chamado ponto de fuga e daí advém o seu nome de linhas de fuga;
  4. Quanto maior for a distância dos objetos mais eles se tornam pequenos; o contrário acontece quando a distância dos objetos diminui.

Assim, a perspetiva linear não é mais do que um método geométrico para representar o espaço e os objetos em função da sua profundidade, de acordo com a medida da distância a partir do observador.

[BERGER, R. (1963) “Connaissance de la Peinture: Espace, Perspective et Vision”, Tomo VII. Lausana: Novorop]

ESQUIÇO

Delineamento inicial de uma obra. Esboceto. Primeira forma sumariamente indicada de um quadro, estátua, de uma obra de arquitetura que serve ao artista para fixar as suas ideias e para guiá-lo na execução. O esquisso pode ser um “croquis” desenhado, pintado, uma maquete de barro. Distingue-se de esboço no sentido de ser distinto da obra a executar, enquanto o esboço é a própria obra no primeiro estádio de execução.

[CALADO, M.; SILVA, J. H. Pais da (2005) “Dicionário de Termos de Arte e Arquitetura”. Lisboa: Editorial Presença. p 150]

ESTAMPA

Reprodução de pintura ou desenho, normalmente em papel, obtida com um bloco de madeira , chapa de metal ou placa de pedra previamente gravada. (Ex: Shigenobu)

[FRÓIS, J. P.; GONÇALVES, R. M.; MARQUES, E. (2011) “Primeiro Olhar – Programa Integrado de Artes Visuais – Caderno do Professor”. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian. p 196]

ESTILO

Maneira de se exprimir particular a um artista ou a uma época.

[CALADO, M.; SILVA, J. H. Pais da (2005) “Dicionário de Termos de Arte e Arquitetura”. Lisboa: Editorial Presença. p 155]

ESTILO LINEAR

O estilo é linear quando todos os contornos são nítidos e as figuras se destacam completamente do fundo.

[FRÓIS, J. P.; GONÇALVES, R. M.; MARQUES, E. (2011) “Primeiro Olhar – Programa Integrado de Artes Visuais – Caderno do Professor”. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian. p 23]

ESTILO PICTURAL

O estilo é pictural quando os contornos não destacam completamente cada uma das figuras e estas se fundem umas com as outras e/ou com o fundo.

[FRÓIS, J. P.; GONÇALVES, R. M.; MARQUES, E. (2011) “Primeiro Olhar – Programa Integrado de Artes Visuais – Caderno do Professor”. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian. p 23]

EXPERIMENTAÇÃO PLÁSTICA

Ação de estudar, observar e verificar, através da prática, uma hipótese no domínio da comunicação plástica.

[FRÓIS, J. P.; GONÇALVES, R. M.; MARQUES, E. (2011) “Primeiro Olhar – Programa Integrado de Artes Visuais – Caderno do Professor”. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian. p 196]

EXPRESSIONISMO

Primeiramente foi um termo popularizado pelo crítico de arte alemão Herwarth Walden, editor da revista avant-garde de Berlim Der Sturm (1910-32), para caracterizar toda a arte moderna oposta ao Impressionismo. Mais tarde, designou a arte na qual a forma nasce, não diretamente da realidade observada, mas de reações subjetivas à realidade. Hoje, refere qualquer arte na qual ideias convencionais de realismo e proporção parecem ter sido distorcidas pela emoção do artista, com consequentes alterações das formas e das cores que imitem as aparências visíveis do mundo exterior. Os principais iniciadores foram Van Gogh e Edward Munch. Com Kandinsky, o Expressionismo tornou-se abstrato. (Ex: Mário Eloy, Sarah Afonso)

[FRÓIS, J. P.; GONÇALVES, R. M.; MARQUES, E. (2011) “Primeiro Olhar – Programa Integrado de Artes Visuais – Caderno do Professor”. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian. p 196]

EXPRESSIONISMO ABSTRATO

Ver “Action Painting”.

F

FAIANÇA

Artigos executados em argila e cozidos a uma temperatura da ordem dos 700° graus ou menor, que permanecem porosos, se não se lhes aplicar o vidrado.

[FRÓIS, J. P.; GONÇALVES, R. M.; MARQUES, E. (2011) “Primeiro Olhar – Programa Integrado de Artes Visuais – Caderno do Professor”. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian. p 197]

FAUVISMO

Termo derivado da palavra francesa “fauve”, que significa fera. Foi utilizado pela primeira vez pelo crítico Louis de Vauxcelles, grande admirador de Matisse, para designar a pintura deste e dos seus amigos, em 1905. Partindo de Van Gogh e Paul Gauguin, os fauvistas adotaram o cromatismo tímbrico, abrindo caminho ao Abstracionismo.

[FRÓIS, J. P.; GONÇALVES, R. M.; MARQUES, E. (2011) “Primeiro Olhar – Programa Integrado de Artes Visuais – Caderno do Professor”. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian. p 197]

FIGURATIVO

Ver Arte Figurativa.

FIGURA GEOMÉTRICA

Figura, em termos de arte, é uma área plana cercada por bordas. As figuras geométricas são precisas e regulares como quadrados, retângulos, triângulos, círculos. As figuras geométricas são bidimensionais e têm apenas a altura e a largura.

[FRÓIS, J. P.; GONÇALVES, R. M.; MARQUES, E. (2011) “Primeiro Olhar – Programa Integrado de Artes Visuais – Caderno do Professor”. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian. p 62-63]

FORMA

Em termos de arte, a forma refere-se a objetos que são tridimensionais, ou seja, têm comprimento, largura / espessura e altura. As formas podem ser geométricas ou orgânicas / biomórficas.

As formas geométricas são precisas e regulares. São frequentemente encontradas nas coisas feitas pelo homem, como edifícios e máquinas.

As formas orgânicas / biomórficas são tipicamente irregulares ou assimétricas. São frequentemente encontrados na natureza, mas há formas feitas pelo homem que também podem imitar as formas orgânicas. São folhas, flores, nuvens, coisas que crescem.

A escultura é o lugar mais óbvio para ver formas tridimensionais na arte.

Para representar uma forma tridimensional num suporte bidimensional, os artistas recorrem às sombras e ao desenho em perspetiva para dar a ilusão de volume.

[BERGER, R. (1976) “El conocimiento de la pintura: El arte de comprenderla”, Vol. 2. Barcelona: Editorial Noguer]

FORMA ABERTA

Uma forma é aberta quando as diagonais dominam e as figuras, por vezes movimentadas, parecem ultrapassar os bordos do suporte.

[FRÓIS, J. P.; GONÇALVES, R. M.; MARQUES, E. (2011) “Primeiro Olhar – Programa Integrado de Artes Visuais – Caderno do Professor”. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian. p 23]

FORMA FECHADA

Uma forma é fechada quando todas as figuras (objetos) estão no interior da moldura, organizadas segundo a vertical e a horizontal, de modo estável, tendendo para a simetria.

[FRÓIS, J. P.; GONÇALVES, R. M.; MARQUES, E. (2011) “Primeiro Olhar – Programa Integrado de Artes Visuais – Caderno do Professor”. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian. p 23]

FOTOMONTAGEM

Termo aplicada à técnica de fazer uma composição pictórica com partes de diferentes fotografias. Foi popularizada pelos dadaístas como método de propaganda política e de crítica social. John Heartfield foi o mais brilhante representante desta técnica. Também foi usada por Max Ernst e outros Surrealistas e pelos artistas da Pop Art.

[CALADO, M.; SILVA, J. H. Pais da (2005) “Dicionário de Termos de Arte e Arquitetura”. Lisboa: Editorial Presença. p 169-170]

FRONTALIDADE

Ver Pose.

FUNÇÃO POÉTICA

Ênfase posta na mensagem, por si mesma. Segundo Jacobson, o discurso poético corresponde à projeção do eixo paradigmático sobre o eixo sintagmático.

[FRÓIS, J. P.; GONÇALVES, R. M.; MARQUES, E. (2011) “Primeiro Olhar – Programa Integrado de Artes Visuais – Caderno do Professor”. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian. p 197]

FUNDIÇÃO

Método de duplicar (ou multiplicar) uma obra de escultura, vazando metal em fusão num molde com a forma da peça.

[FRÓIS, J. P.; GONÇALVES, R. M.; MARQUES, E. (2011) “Primeiro Olhar – Programa Integrado de Artes Visuais – Caderno do Professor”. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian. p 197]

FUTURISMO

Movimento artístico surgido em Itália em 1909 com a publicação do Manifesto assinado, entre outros, pelo poeta Marinetti. Propõe como valores supremos o dinamismo da vida moderna e o culto da máquina, por oposição à tradição . No campo das artes plásticas, os futuristas interessaram-se sobretudo pela representação do movimento (influenciados pela cronofotografia), explorando a interpenetração entre as figuras e o espaço circundante, e utilizando uma paleta de cores saturadas. Os pintores mais destacados deste movimento foram Umberto Boccioni, Carlo Carra, Giacomo Balla e Gino Severini. (Ex: Amadeo de Souza-Cardoso)

[FRÓIS, J. P.; GONÇALVES, R. M.; MARQUES, E. (2011) “Primeiro Olhar – Programa Integrado de Artes Visuais – Caderno do Professor”. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian. p 197]

G

GAMA

Em pintura o termo aplica-se à série de cores classificadas por matizes. Segundo o grau de intensidade dos tons, diz-se que a gama de uma pintura é brilhante ou neutra.

[CALADO, M.; SILVA, J. H. Pais da (2005) “Dicionário de Termos de Arte e Arquitetura”. Lisboa: Editorial Presença. p 177]

GÉNERO

Classificação de uma obra de arte pelo seu conteúdo ou tema principal, como a natureza-morta, o retrato, a paisagem, etc.

[CALADO, M.; SILVA, J. H. Pais da (2005) “Dicionário de Termos de Arte e Arquitetura”. Lisboa: Editorial Presença. p 179]

GESTUALISMO

Conceito genérico que designa o gesto de expressão corporal, através do qual o artista leva a cabo o ato de pintar. Tornou-se valor fundamental para os artistas em que o gesto á investido de um significado expressivo primordial, nomeadamente os seguidores da “Action-painting”. (Ex: Eurico Gonçalves)

[FRÓIS, J. P.; GONÇALVES, R. M.; MARQUES, E. (2011) “Primeiro Olhar – Programa Integrado de Artes Visuais – Caderno do Professor”. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian. p 197]

H

HAPPENING

Manifestação artística típica dos anos 60 e 70 do séc. XX, em que o artista dirige um acontecimento que combina elementos do teatro e das artes visuais. O termo foi criado em 1959 por Allan Kaprow e tem sido usado para designar uma diversidade de fenómenos artísticos. Recusa o lado artesanal e permanente das artes tradicionais e acredita no acaso e na sorte, de acordo com as teorias do músico John Cage.

[CALADO, M.; SILVA, J. H. Pais da (2005) “Dicionário de Termos de Arte e Arquitetura”. Lisboa: Editorial Presença. p 190]

HELIOGRAFIA

Reprodução de desenhos executados em papel transparente sobre outro papel (geralmente opaco) por efeito da ação dos raios solares. Assim, é possível obter numerosas cópias de um desenho original com o auxílio de tais papeis sensíveis à luz solar.

[CALADO, M.; SILVA, J. H. Pais da (2005) “Dicionário de Termos de Arte e Arquitetura”. Lisboa: Editorial Presença. p 191]

HETERÓNIMO

Que muda de nome. No caso de Fernando Pessoa, cada heterónimo corresponde a um aspeto diferente da sua personalidade criadora.

[FRÓIS, J. P.; GONÇALVES, R. M.; MARQUES, E. (2011) “Primeiro Olhar – Programa Integrado de Artes Visuais – Caderno do Professor”. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian. p 197]

HIPER-REALISMO

Arte praticada especialmente nos EUA nos anos 70 do séc. XX, que se baseia na cópia da realidade, recorrendo, na pintura, à fotografia e, na escultura, ao molde direto da figura humana.

[CALADO, M.; SILVA, J. H. Pais da (2005) “Dicionário de Termos de Arte e Arquitetura”. Lisboa: Editorial Presença. p 193]

HISTÓRIA DA ARTE

Disciplina que se ocupa da arte de acordo com duas coordenadas, o espaço e o tempo. Segundo Giulio Carlo Argan, é “uma história especial (...) que opera num campo próprio e tem metodologias próprias, mas, como toda a história especial, desemboca e enquadra-se na história geral da cultura, explicando qual foi a cultura que foi elaborada e construída pela arte”. A História da Arte surgiu no séc. XVI, com Vasari, que embora tivesse uma abordagem biográfica, considerou uma evolução equivalente à da vida humana: infância (Cimabue e Giotto na pintura, os Pisani na escultura e Arnolfo Dicambio na arquitetura); adolescência (Masaccio na pintura, Brunelleschi na arquitetura e Donatello na escultura); maturidade (alcançada na obra de Miguel Ângelo), a que se segue o período dos que imitam o seu exemplo ou “maniera”. A primeira História da Arte no sentido moderno é a “História da Arte da Antiguidade” de Winckelmann, publicada em 1764.

[CALADO, M.; SILVA, J. H. Pais da (2005) “Dicionário de Termos de Arte e Arquitetura”. Lisboa: Editorial Presença. p 194]

I

ÍCONE

(do grego, “eikon” = semelhante) Imagem de um santo ou personagem sagrada. Na Igreja Oriental chama-se ícone a qualquer pintura religiosa executada sobre um painel de madeira, por oposição ao fresco, pintado sobre o enduto (reboco ou estuque) fresco de uma parede.

[CALADO, M.; SILVA, J. H. Pais da (2005) “Dicionário de Termos de Arte e Arquitetura”. Lisboa: Editorial Presença. p 197]

ICONOLOGIA

Ciência dos atributos que caracterizam as figuras alegóricas ou, por outras palavras, arte de representar os deuses, os homens, suas ações e paixões, os vícios, as virtudes, as estações do ano, as artes, etc., com atributos que os caracterizam de modo a torná-los facilmente distinguíveis.

[CALADO, M.; SILVA, J. H. Pais da (2005) “Dicionário de Termos de Arte e Arquitetura”. Lisboa: Editorial Presença. p 198]

ILUMINURA

Utilização do ouro e da prata para “dar luz” à página com miniatura. Por extensão, pintura sobre pergaminho nos manuscritos medievais.

[CALADO, M.; SILVA, J. H. Pais da (2005) “Dicionário de Termos de Arte e Arquitetura”. Lisboa: Editorial Presença. p 200]

ILUMINAÇÃO (CLARIDADE ABSOLUTA - CLARIDADE RELATIVA

Na claridade absoluta, um foco de luz único vindo do infinito, como a luz solar, ilumina igualmente todos os objetos, com a mesma intensidade e direção. Na claridade relativa, vários pequenos focos de luz perto dos objetos iluminam intensamente os que lhe estão mais próximos e deixam os outros na obscuridade.

[FRÓIS, J. P.; GONÇALVES, R. M.; MARQUES, E. (2011) “Primeiro Olhar – Programa Integrado de Artes Visuais – Caderno do Professor”. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian. p 23]

ILUMINAÇÃO (FRONTAL - CONTRALUZ)

Na iluminação em contraluz o objeto, figura ou local estão colocados em situação oposta àquela em que a luz incide. No contraluz a luz vem do interior do quadro do plano de fundo. Na iluminação frontal, o fluxo luminoso incide diretamente sobre a frente do objeto, figura ou local que se pretende iluminar. A luz vem do exterior do quadro.

[CALADO, M.; SILVA, J. H. Pais da (2005) “Dicionário de Termos de Arte e Arquitetura”. Lisboa: Editorial Presença. p 109]; [FRÓIS, J. P.; GONÇALVES, R. M.; MARQUES, E. (2011) “Primeiro Olhar – Programa Integrado de Artes Visuais – Caderno do Professor”. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian. p 35]

ILUSTRAÇÃO

Todo o desenho, estampa ou reprodução fotomecânica ou digital que acompanha um texto, para uma melhor compreensão, ou com fins decorativos ou ornamentais.

[CALADO, M.; SILVA, J. H. Pais da (2005) “Dicionário de Termos de Arte e Arquitetura”. Lisboa: Editorial Presença. p 200]

IMAGENS (VERTICAIS - HORIZONTAIS)

Imagens horizontais devem ser vistas de cima como se estivessem colocadas na horizontal, como um tapete no chão. É o caso, por exemplo, das vistas aéreas ou dos mapas.  As imagens verticais devem ser vistas na sua posição natural.

[FRÓIS, J. P.; GONÇALVES, R. M.; MARQUES, E. (2011) “Primeiro Olhar – Programa Integrado de Artes Visuais – Caderno do Professor”. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian. p 32]

IMPRESSIONISMO

Movimento artístico francês do século XIX, que tentou utilizar a pesquisa científica contemporânea realizada acerca da física da cor (incluindo o trabalho levado a cabo por Eugéne Chevreul), para conseguir uma representação mais exata da cor e do tom. A maior parte dos impressionistas aplicaram a tinta em pequenos toques de cor pura, em vez de pinceladas compridas, fazendo assim as pinturas parecer mais brilhantes do que as realizadas pelos artistas do Salon contemporâneos. Acreditavam também que a pintura deve ser feita ao ar livre, tentando captar uma particular e fugaz impressão de cor e de luz, em vez de fazerem a sua representação dentro de um estúdio. Os pintores ligados a este movimento agruparam-se pouco antes da guerra Franco-prussiana de 1870-71. A primeira exposição impressionista realizou-se em 1874 e incluiu trabalhos de Renoir, Sisley, Pissarro, Cézanne, Degas, Guillaumin, Boudin e Berthe Morisot. (Ex: Monet)

[FRÓIS, J. P.; GONÇALVES, R. M.; MARQUES, E. (2011) “Primeiro Olhar – Programa Integrado de Artes Visuais – Caderno do Professor”. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian. p 197]

J

JAPONISMO

Diz-se das obras de certos artistas, a partir do século XIX, que se inspiram nas estampas e composições japonesas, nomeadamente dos efeitos de perspetiva, do colorido e das tonalidades usuais, como aconteceu com alguns impressionistas (Degas, Van Gogh).

[CALADO, M.; SILVA, J. H. Pais da (2005) “Dicionário de Termos de Arte e Arquitetura”. Lisboa: Editorial Presença. p 208]

JUGENDSTIL

Designação dada à Arte Nova na Alemanha, a partir da revista “Jugend” fundada em Munique, em 1896. Entre os seus representantes estão Hermann Obrist e Richard Riemerschmidt.

[CALADO, M.; SILVA, J. H. Pais da (2005) “Dicionário de Termos de Arte e Arquitetura”. Lisboa: Editorial Presença. p 210]

K

KITSCH

(do alemão) Objeto artístico, de valor estético inferior, de acordo com o gosto popular das grandes zonas industrializadas. Os objetos Kitsch podem assumir em materiais como o plástico formas próprias de outros materiais mais valiosos.

[CALADO, M.; SILVA, J. H. Pais da (2005) “Dicionário de Termos de Arte e Arquitetura”. Lisboa: Editorial Presença. p 211]

KORÊ

Palavra grega que designa jovem rapariga, aplicada às estátuas femininas, de pé, envergando o peplos, com cabelos ondulados e longos, e o sorriso típico das estátuas arcaicas.

[CALADO, M.; SILVA, J. H. Pais da (2005) “Dicionário de Termos de Arte e Arquitetura”. Lisboa: Editorial Presença. p 211]

KOUROS

Palavra grega que designa “jovem”, aplicada às estátuas de atletas nus, de pé, com cabelo em cortina e o sorriso característico das estátuas arcaicas.

[CALADO, M.; SILVA, J. H. Pais da (2005) “Dicionário de Termos de Arte e Arquitetura”. Lisboa: Editorial Presença. p 211]

KWY

Grupo formado em Paris em 1959, por artistas portugueses que escolheram como sigla três letras que não existem no alfabeto português, para acentuarem a sua distanciação relativamente ao que se passava em Portugal. Eram eles René Bértholo, Lourdes Castro, Gonçalo Duarte, Costa Pinheiro, José Escada, João Vieira e dois estrangeiros, o alemão Jan Voss e o búlgaro Christo. Enviaram uma exposição à Sociedade Nacional de Belas-Artes (SNBA) em 1960 onde predominava a abstração não-geométrica, que no entanto não será a opção final da maior parte, com exceção de João Vieira.

[CALADO, M.; SILVA, J. H. Pais da (2005) “Dicionário de Termos de Arte e Arquitetura”. Lisboa: Editorial Presença. p 212]

L

LABIRINTO

Motivo ornamental formado por linhas entrecruzadas e determinantes de porções de quadrados ou ângulos retos que às vezes se usam como ornamentação

[CALADO, M.; SILVA, J. H. Pais da (2005) “Dicionário de Termos de Arte e Arquitetura”. Lisboa: Editorial Presença. p 213]

LAND ART

Um tipo de arte que usa materiais em bruto da Terra, como rochas, o solo, etc. Surgiu na década de 1960, em relação com a Minimal Arte, a Arte Povera e a Arte Conceptual.

[CALADO, M.; SILVA, J. H. Pais da (2005) “Dicionário de Termos de Arte e Arquitetura”. Lisboa: Editorial Presença. p 216]

LARANJA

É uma cor secundária formada pela mistura do vermelho com o amarelo. É uma cor quente. A cor complementar é o Azul. O Laranja provoca sensação de excitação, entusiasmo e cordialidade. O Laranja atrai a atenção.

[Itten, J. (1997) “The Art of Color: The Subjective Experience and Objective Rationale of Color”. Nova-Iorque: John Wiley & Sons]

LETRA ORNADA

Inicial maiúscula, no início de um capítulo ou parágrafo, decorada de iluminuras nos manuscritos, de ornamentos gravados ou vinhetas nos livros impressos. Após a invenção da imprensa continuou-se durante muito tempo a iluminar as letras ornadas.

[CALADO, M.; SILVA, J. H. Pais da (2005) “Dicionário de Termos de Arte e Arquitetura”. Lisboa: Editorial Presença. p 219]

LINHA

Em termos da arte visual, a linha é o resultado do movimento de um ponto. A linha tem uma infinidade de usos nas obras de arte:

  • Guiar o olhar do observador;
  • Definir arestas e ângulos;
  • Definir a forma e contorná-la mostrando onde o objeto/figura termina;
  • Provocar a ilusão de movimento e ritmo;
  • Definir/acentuar as sombras;
  • Indicar uma fonte de luz.

Uma linha é um caminho identificável criado por um ponto que se move no espaço. Ela é unidimensional e pode variar em espessura, direção e comprimento. A expressividade da linha é definida pelas variações da sua espessura. Ao variar a espessura da linha, um artista pode criar a ilusão de forma e de sombra.

As linhas podem ser horizontais, verticais ou diagonais, em linha reta ou curva, grossas ou finas.

Tipos de linhas

Quanto à inclinação:

  • Linhas verticais – São linhas que se movem para cima e para baixo, sem qualquer inclinação. As linhas verticais transmitem uma sensação de altura, porque são perpendiculares à terra, estendendo-se em direção ao céu.
  • Linhas horizontais – São linhas paralelas ao horizonte. As linhas horizontais transmitem uma sensação de repouso porque os objetos paralelos à terra estão em repouso. Por vezes, numa paisagem, ajudam a criar uma sensação de espaço e sugerem a continuação desta para além do plano visual, para a esquerda e para a direita.
  • Linhas inclinadas ou diagonais – São linhas que têm uma inclinação em relação ao horizonte. As linhas diagonais transmitem uma sensação de movimento. Objetos numa posição diagonal estão instáveis. Porque não estão na vertical nem na horizontal, os objetos estão prestes a cair ou já estão em movimento.

Quanto à forma:

  • Linhas retas – São linhas que nunca mudam de direção.
  • Linhas em ziguezague ou quebradas – São linhas feitas a partir de uma combinação de segmentos de retas com varias inclinações.
  • Linhas curvas – São linhas que mudam de direção gradualmente. A curvatura de uma linha pode transmitir energia. As linhas curvas suaves fazem lembrar as curvas do corpo humano, têm uma qualidade agradável e sensual e harmonizam a composição.
  • Linhas mistas ou irregulares – São linhas feitas a partir de uma combinação de linhas retas e linhas curvas

Quanto ao comprimento:

O comprimento das linhas pode ser longo ou curto.

Quanto à espessura:

A espessura das linhas pode ser grossa ou fina. A variação da espessura de uma linha dá-lhe expressividade.

Quanto à textura:

A textura das Linhas pode ser áspera ou suave.

Quanto à nitidez:

As linhas podem ser firmes (nítidas) ou trémulas (pouco visíveis – esbatidas).

Quanto à posição relativa de linhas do mesmo plano:

  • Linhas retas concorrentes – linhas que se cruzam num ponto.
  • Linhas retas paralelas – linhas que mantêm sempre a mesma distância entre si e, por mais que se prolonguem, nunca se tocam.
  • Linhas retas perpendiculares – linhas que se cruzam num único ponto e fazem entre si um ângulo de 90º.
  • Linhas tangentes – linhas que se tocam num ponto (ponto de tangência) mas não se cruzam.

[BERGER, R. (1963) “Connaissance de la Peinture: Ligne, Couleur, Lumière”, Tomo IV. Lausana: Novorop]; [FRÓIS, J. P.; GONÇALVES, R. M.; MARQUES, E. (2011) “Primeiro Olhar – Programa Integrado de Artes Visuais – Caderno do Professor”. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian. p 48]; [AA.VV. (1962) “Grand Larousse Encyclopédique”, Vol. 6. Paris: Librairie Larousse. p. 751-753]

LINHA DE CONTORNO

Linha que circunscreve uma superfície, uma figura, um objeto, etc... indicando-lhes a forma, o relevo, o volume. É o limite a partir do qual uma forma adquire separação do fundo ou espaço que a rodeia. A área marcada pelo contorno, expresso como uma linha em torno dela, na realidade descreve mais do que o simples formato de um objeto, podendo dar também indicações a respeito de seu volume, realce e textura.

[BERGER, R. (1963) “Connaissance de la Peinture: Ligne, Couleur, Lumière”, Tomo IV. Lausana: Novorop]; [AA.VV. (1962) “Grand Larousse Encyclopédique”, Vol. 6. Paris: Librairie Larousse. p. 751-753]; [Houaiss, A. (2011) “Dicionário do Português Atual”. Lisboa: Círculo de Leitores. p. 651]

LINHA DO HORIZONTE

O horizonte (do grego antigo ὁρίζων -οντος, de ὁρίζω "limitar") é definido como a linha aparente ao longo da qual, em lugares abertos e planos, observamos que o céu parece tocar a terra ou o mar. Pela definição, pode-se considerá-lo mesmo em áreas não planas, embora não se possa observar.

[AA.VV. (2001) “Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea da Academia das Ciências de Lisboa”, Vol. 2. Lisboa: Editorial Verbo. p. 2005]

LIVRO DE HORAS

Livro de orações a serem rezadas nas Horas Canónicas, destinado a devoção privada. São característicos do período gótico e normalmente ornamentados com iluminuras.

[CALADO, M.; SILVA, J. H. Pais da (2005) “Dicionário de Termos de Arte e Arquitetura”. Lisboa: Editorial Presença. p 222]

LUCERNA

Peça de cerâmica usada para iluminação pelos Romanos.

[CALADO, M.; SILVA, J. H. Pais da (2005) “Dicionário de Termos de Arte e Arquitetura”. Lisboa: Editorial Presença. p 223]

M

MANEIRISMO

Designa um estilo original e completo que exacerba a maneira dos artistas da grande geração do Renascimento, Rafael, Bramante, Correggio, Miguel Ângelo. Nascido em Itália em 1520, em tempos de inquietude e de dúvida, espalha-se pela Europa, praticado de forma diferente conforme os centros, até ao início do século XVII. Irrealismo, requinte e sofisticação são os seus traços dominantes: o corpo humano estira-se, os temas raiam o fantástico, ou mesmo o esoterismo, as cores tomam-se ácidas. Em Itália, os mais ilustres representantes são Pontorno, Parmigianino, Bronzino, Cellini, Giambologna, Vasari, etc. (Ex: Giulio Romano)

[FRÓIS, J. P.; GONÇALVES, R. M.; MARQUES, E. (2011) “Primeiro Olhar – Programa Integrado de Artes Visuais – Caderno do Professor”. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian. p 197]

MATIZ

O nome de uma cor ou o atributo em virtude do qual ela é vermelha, verde, azul, etc. O espectro é convencionalmente dividido em seis tons: vermelho, amarelo e azul (as cores primárias) e verde, laranja e violeta (as cores secundárias, obtidas pela mistura das cores primárias). Em linguagem coloquial, a palavra “matiz” tende a ser usada de forma tão vaga que atualmente é apenas um sinónimo de cor. O termo é utilizado de forma mais precisa para indicar a tonalidade específica ou a qualidade de uma cor.

[CHILVERS, I.; FARR, D.; OSBORNE, H. (1997) “The Oxford Dictionary of Art”. Oxford: Oxford University Press. p 425]

MEIO-RELEVO

Escultura em relevo, na qual figuras e objetos se destacam da superfície em metade do seu volume.

[CALADO, M.; SILVA, J. H. Pais da (2005) “Dicionário de Termos de Arte e Arquitetura”. Lisboa: Editorial Presença. p 235]

MÉNADES

Bacantes divinas, seguidoras de Dioniso. São geralmente representadas nuas ou vestidas com véus ligeiros; estão coroadas de heras a empunhar um longo bastão que termina em forma de pinha. Personificam os espíritos orgiásticos da Natureza.

[FRÓIS, J. P.; GONÇALVES, R. M.; MARQUES, E. (2011) “Primeiro Olhar – Programa Integrado de Artes Visuais – Caderno do Professor”. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian. p 197]

METÁFORA

Transportar para uma coisa o nome de outra. A metáfora implica a perceção intuitiva da similitude em coisas aparentemente diferentes. Exemplos: pés da cama; cabeça de prego; asa da chávena.

[FRÓIS, J. P.; GONÇALVES, R. M.; MARQUES, E. (2011) “Primeiro Olhar – Programa Integrado de Artes Visuais – Caderno do Professor”. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian. p 198]

METAMORFOSE

Metamorfose significa mudança. É a transformação de um ser noutro; a transformação de uma forma noutra. Como exemplo, o artista cubista Cézanne pretendia representar as coisas não como elas são, mas tal como se sabe que elas são, evocando-as sob muitos ângulos simultaneamente.

[FRÓIS, J. P.; GONÇALVES, R. M.; MARQUES, E. (2011) “Primeiro Olhar – Programa Integrado de Artes Visuais – Caderno do Professor”. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian. p 85]; [Houaiss, A. (2011) “Dicionário do Português Atual”. Lisboa: Círculo de Leitores. p. 1570]

MINIMALISMO

Um tipo de arte abstrata caracterizada pela extrema simplicidade da forma e por uma deliberada falta de conteúdo expressivo; emergiu nos anos 50 do séc. XX e floresceu nas décadas de 60 e 70. As suas raízes estão na abstração geométrica de Malevitch e nos ready-made de Duchamp. É vista como uma reação contra o carácter emotivo do Expressionismo Abstrato. A teoria do Minimalismo é que, sem a presença da composição, e pelo uso de materiais planos, muitas vezes industriais, arranjados em configurações geométricas altamente simplificadas, podemos experimentar as mais puras qualidades de cor, forma, espaço e materiais.

[CALADO, M.; SILVA, J. H. Pais da (2005) “Dicionário de Termos de Arte e Arquitetura”. Lisboa: Editorial Presença. p 239]

MODELAÇÃO

Na escultura, é a formação de uma escultura ou composição com uma substância plástica, como o barro, a cera, etc.

[FRÓIS, J. P.; GONÇALVES, R. M.; MARQUES, E. (2011) “Primeiro Olhar – Programa Integrado de Artes Visuais – Caderno do Professor”. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian. p 198]

MODERNISMO

Designação imprecisa do período inicial da arte moderna em Portugal. O termo abrange a ação da primeira e da segunda geração dos artistas modernos que apareceram antes da guerra de 1939-45. (Ex: Amadeo de Souza-Cardoso, Almada Negreiros, Sarah Afonso, Mário Eloy, Helena Vieira da Silva)

[FRÓIS, J. P.; GONÇALVES, R. M.; MARQUES, E. (2011) “Primeiro Olhar – Programa Integrado de Artes Visuais – Caderno do Professor”. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian. p 198]

MOVIMENTO

O ato ou processo de alteração de lugar ou de posição. Este tanto pode ser movimento real como uma sensação de ação. A composição dos componentes de uma imagem para criar uma sensação de movimento pode utilizar linhas diagonais, linhas curvas, linhas em espiral, arabescos (equilíbrio assimétrico ou mesmo desequilíbrio), contrastes de cor quente-frio, formas com contornos esbatidos e  texturas (por exemplo pinceladas com direções ao acaso, curtas e rápidas para as figuras e objetos em movimento) que provocam o movimento do olhar do observador sobre a obra. Numa obra bidimensional, o movimento refere-se sempre a uma representação ou sugestão. Na escultura, o movimento também pode referir-se a movimento implícito; apenas no caso de móbiles e esculturas cinéticas existe movimento real.

[BERGER, R. (1963) “Connaissance de la Peinture: Temps, Mouvement, Rythme”, Tomo VIII. Lausana: Novorop]; [FRÓIS, J. P.; GONÇALVES, R. M.; MARQUES, E. (2011) “Primeiro Olhar – Programa Integrado de Artes Visuais – Caderno do Professor”. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian. p 32]

N

NAÏF

Diz-se do artista que não tem formação académica e que opta por uma forma de representação semelhante à das crianças, muito minuciosa e de cores alegres.

[CALADO, M.; SILVA, J. H. Pais da (2005) “Dicionário de Termos de Arte e Arquitetura”. Lisboa: Editorial Presença. p 252]

NARRATIVA

Pintura que implica um elemento literário que não se encontra, por exemplo, na pintura de género. Uma pintura narrativa implica a escolha de um momento da história, de modo que o observador possa imaginar o que aconteceu e o que vai acontecer.

[CALADO, M.; SILVA, J. H. Pais da (2005) “Dicionário de Termos de Arte e Arquitetura”. Lisboa: Editorial Presença. p 252]

NATUREZA-MORTA

Começaram por ser quadros que representavam animais mortos (peças de caça, peixes) depois, por extensão, passaram a ser também classificados assim os quadros que representam peças de baixela, frutos, objetos preciosos, instrumentos musicais, ou apenas flores. Como tema independente surge no final do séc. XVI e popularizou-se no Norte da Europa depois da Reforma, com o declínio da pintura religiosa motivada pela religião Protestante.

[CALADO, M.; SILVA, J. H. Pais da (2005) “Dicionário de Termos de Arte e Arquitetura”. Lisboa: Editorial Presença. p 253]

NEO-REALISMO

Estilo artístico que propõe a revalorização do Realismo do séc. XIX, dando especial atenção aos problemas sociais. É a designação dada em Portugal ao movimento correspondente ao Realismo Socialista. Surge na literatura e nas artes visuais destacando-se na pintura de Júlio Pomar. [CALADO, M.; SILVA, J. H. Pais da (2005) “Dicionário de Termos de Arte e Arquitetura”. Lisboa: Editorial Presença. p 255];

[FRÓIS, J. P.; GONÇALVES, R. M.; MARQUES, E. (2011) “Primeiro Olhar – Programa Integrado de Artes Visuais – Caderno do Professor”. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian. p 171]

O

OBJET TROUVÉ

Qualquer objeto do qual o artista decide fazer uma obra de arte, sem alterações ou com modificações mínimas.

[CALADO, M.; SILVA, J. H. Pais da (2005) “Dicionário de Termos de Arte e Arquitetura”. Lisboa: Editorial Presença. p 259]

ORPHEU

Revista modernista publicada em Lisboa, no ano de 1915, de que saíram dois números. Colaboraram Santa-Rita, Almada Negreiros, Fernando Pessoa, Mário de Sá Carneiro, entre outros.

[FRÓIS, J. P.; GONÇALVES, R. M.; MARQUES, E. (2011) “Primeiro Olhar – Programa Integrado de Artes Visuais – Caderno do Professor”. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian. p 198]

ORTÓNIMO

Nome próprio.

[FRÓIS, J. P.; GONÇALVES, R. M.; MARQUES, E. (2011) “Primeiro Olhar – Programa Integrado de Artes Visuais – Caderno do Professor”. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian. p 198]

P

PADRÃO

Repetição de um objeto ou símbolo numa obra de arte. A repetição reforça o padrão fazendo com que a obra de arte pareça ativa. A repetição dos elementos do padrão cria unidade no seio da obra de arte. Na tapeçaria, estes motivos decorativos estão muitas vezes estampados num cartão e servem de motivo repetitivo para os artesãos.

[CALADO, M.; SILVA, J. H. Pais da (2005) “Dicionário de Termos de Arte e Arquitetura”. Lisboa: Editorial Presença. p 269]; [FRÓIS, J. P.; GONÇALVES, R. M.; MARQUES, E. (2011) “Primeiro Olhar – Programa Integrado de Artes Visuais – Caderno do Professor”. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian. p 68]

PAISAGEM

Obra de arte cujo tema é o campo, cenas com camponeses em que predomina a natureza, sendo as figuras humanas e animais reduzidas a pequenas dimensões, integrando-se no conjunto. Foi preciso muito tempo para chegar à conceção de paisagem pura, isto é, a reprodução sincera de um trecho da natureza sem acompanhamento de qualquer outro género. A paisagem era outrora considerada como um fundo de decoração que se arranjava quer para o enquadramento da História da Antiguidade (Pintura Histórica), quer em cenas campestres de convenção. As primeiras paisagens no sentido moderno foram pintadas na Holanda do séc. XVII e tiveram grande importância histórica para a pintura europeia até ao Impressionismo.

[CALADO, M.; SILVA, J. H. Pais da (2005) “Dicionário de Termos de Arte e Arquitetura”. Lisboa: Editorial Presença. p 270]

PALETA

 Utensílio do pintor, que consiste numa tábua delgada, de forma oval ou quadrada, com um buraco numa das extremidades para passar o polegar da mão esquerda. Aí se colocavam as cores por uma certa ordem, no bordo superior; o resto serve para fazer mistura com uma espátula. É usada como emblema da pintura. A pintura é preparada de modo que o óleo não se embeba na madeira. Para aguarela ou guache usa-se a paleta em porcelana.

[CALADO, M.; SILVA, J. H. Pais da (2005) “Dicionário de Termos de Arte e Arquitetura”. Lisboa: Editorial Presença. p 271]

PATINE

Alteração química, natural e estável da superfície do bronze.

[FRÓIS, J. P.; GONÇALVES, R. M.; MARQUES, E. (2011) “Primeiro Olhar – Programa Integrado de Artes Visuais – Caderno do Professor”. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian. p 198]

PERSPETIVA

Ver através, para além. Modo de sugerir a terceira dimensão (profundidade) numa superfície plana. Na pintura, a ilusão de profundidade espacial socorre-se de varias perspetivas, das quais se destacam três: perspetiva linear, perspetiva cromática e perspetiva atmosférica.

A perspetiva linear baseia-se na diminuição aparente do tamanho dos objetos com a distância. Esses tamanhos aparentes são controláveis por linhas retas que convergem num ponto do horizonte. Exemplo: as ruas parecem estreitar com a distância natural. Exemplos artísticos: ladrilhos na pintura “Anunciação” (c. 1465-1470) de Dierick Bouts, labirinto na gravura “Atlantis” (1971) de Bartolomeu Cid dos Santos.

A perspetiva cromática baseia-se no azulamento das cores com a distância. Exemplo natural: as rochas das montanhas longínquas parecem mais azuladas do que as próximas. Exemplo artístico: as montanhas na pintura “Anunciação” (c. 1465-1470) de Dierick Bouts. A perspetiva atmosférica baseia-se na perda de nitidez dos contornos, devido às impurezas (poeiras, vapor de água) existentes na atmosfera. Exemplo natural: com o nevoeiro denso deixa de se ver os objetos colocados a poucos metros de distância. Exemplo artístico: Rembrandt.

[FRÓIS, J. P.; GONÇALVES, R. M.; MARQUES, E. (2011) “Primeiro Olhar – Programa Integrado de Artes Visuais – Caderno do Professor”. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian. p 198]

PINTURA

Arte de pintar. Expressão artística que se desenvolve numa superfície (o suporte) através da cor, recorrendo a técnicas diversas, desde as tintas naturais do Paleolítico Superior, até às mais recentes: acrílico, aguarela, encáustica, fresco, guache, óleo, pastel, têmpera. Maurice Denis definiu-a como “uma superfície plana coberta de cores reunidas segunda uma certa ordem.”

[CALADO, M.; SILVA, J. H. Pais da (2005) “Dicionário de Termos de Arte e Arquitetura”. Lisboa: Editorial Presença. p 289]

PINTURA DE GÉNERO OU DE COSTUMES

Pintura de cenas da vida quotidiana, com personagens populares, muito frequente na Holanda no séc. XVII. Opõe-se à Pintura Histórica e os quadros geralmente são de pequenas dimensões. O termo só surge no século XVIII.

[CALADO, M.; SILVA, J. H. Pais da (2005) “Dicionário de Termos de Arte e Arquitetura”. Lisboa: Editorial Presença. p 179]

PINTURA HISTÓRICA

Pintura que documenta acontecimentos históricos ou ligados à mitologia, considerada pelos Académicos dos sécs. XVII e XVIII como a forma mais nobre de arte.

[CALADO, M.; SILVA, J. H. Pais da (2005) “Dicionário de Termos de Arte e Arquitetura”. Lisboa: Editorial Presença. p 290]

PINTURA RELIGIOSA

A que tem por temática, na cultura europeia, a Bíblia, vidas de santos, etc., tudo o que se relaciona com o Cristianismo.

[CALADO, M.; SILVA, J. H. Pais da (2005) “Dicionário de Termos de Arte e Arquitetura”. Lisboa: Editorial Presença. p 290]

POP ART

Designa obras de arte que utilizam como ponto de partida produtos da cultura popular ou dos “mass media”. Surge em Inglaterra nos finais dos anos 50 (Richard Hamilton, Edoardo Paolozzi, etc.), e nos EUA no início dos anos 60 (Andy Warhol, Roy Lichtenstein, Claes Oldenburg, etc.), dando ênfase a imagens e técnicas impessoais, derivadas da publicidade, da banda desenhada e artefactos da cultura de massas. As imagens são geralmente manipuladas, através da repetição, reprodução mecânica, mudança de escala, criando um conflito entre o sentido de cada imagem em si e o seu sentido no novo contexto.

[FRÓIS, J. P.; GONÇALVES, R. M.; MARQUES, E. (2011) “Primeiro Olhar – Programa Integrado de Artes Visuais – Caderno do Professor”. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian. p 198]

POSE (FRONTALIDADE - ENVIESAMENTO)

Atitude que toma um modelo. A frontalidade é um termo criado por Julius Lange, em 1899, para descrever a acentuada visualização frontal, sem perspetiva, da escultura e pintura primitivas. Um exemplo é a arte egípcia. O enviesamento é a pose que toma o modelo quando está numa posição diagonal ou oblíqua. A frontalidade transmite uma sensação de imobilidade artificial e o enviesamento transmite uma sensação de naturalidade.

[CALADO, M.; SILVA, J. H. Pais da (2005) “Dicionário de Termos de Arte e Arquitetura”. Lisboa: Editorial Presença. p 17 e 301]; [FRÓIS, J. P.; GONÇALVES, R. M.; MARQUES, E. (2011) “Primeiro Olhar – Programa Integrado de Artes Visuais – Caderno do Professor”. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian. p 23]

PROPORÇÃO

Dimensão de uma figura. Relação que existe entre as dimensões das diferentes partes do corpo humano ou de um monumento de arquitetura. Em escultura e em pintura as proporções do corpo humano são estabelecidas em função da altura da cabeça que serve de unidade de medida: um corpo bem proporcionado tem sete ou oito alturas de cabeça.

[CALADO, M.; SILVA, J. H. Pais da (2005) “Dicionário de Termos de Arte e Arquitetura”. Lisboa: Editorial Presença. p 305]

PSEUDÓNIMO

Falso nome.

[FRÓIS, J. P.; GONÇALVES, R. M.; MARQUES, E. (2011) “Primeiro Olhar – Programa Integrado de Artes Visuais – Caderno do Professor”. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian. p 198]

PURISMO

Movimento pós-cubista proposto por Le Corbusier em 1918. Mantém a simplificação geométrica na representação dos objetos e a cor lisa. Recusa a fragmentação do Cubismo Analítico.

[FRÓIS, J. P.; GONÇALVES, R. M.; MARQUES, E. (2011) “Primeiro Olhar – Programa Integrado de Artes Visuais – Caderno do Professor”. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian. p 198]

Q

QUATTROCENTO

Período da arte italiana correspondente ao séc. XV.

[CALADO, M.; SILVA, J. H. Pais da (2005) “Dicionário de Termos de Arte e Arquitetura”. Lisboa: Editorial Presença. p 310]

QUERUBIM

Cabeça de anjo que surge entre duas asas, usada como motivo ornamental, pintado ou esculpido, sobretudo nos séc. XVII e XVIII.

[CALADO, M.; SILVA, J. H. Pais da (2005) “Dicionário de Termos de Arte e Arquitetura”. Lisboa: Editorial Presença. p 311]

R

READY-MADE

Termo inventado por Marcel Duchamp por volta de 1913 para designar um objeto quotidiano isolado do seu contexto e tratado como uma obra de arte.

[CALADO, M.; SILVA, J. H. Pais da (2005) “Dicionário de Termos de Arte e Arquitetura”. Lisboa: Editorial Presença. p 313]

RELEVO

Saliência de uma figura (ou de parte de uma composição) de um fundo ou plano em que foi esculpida ou modelada. O relevo é designado por alto, médio ou baixo relevo, conforme a maior ou menor altura da saliência.

[FRÓIS, J. P.; GONÇALVES, R. M.; MARQUES, E. (2011) “Primeiro Olhar – Programa Integrado de Artes Visuais – Caderno do Professor”. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian. p 198]

RENASCIMENTO

O termo Renascença (“Rinascità”), que foi utilizado pela primeira vez em 1550 por Giorgio Vasari, serve-nos hoje para designar o vasto movimento literário e artístico que se desenvolveu em Itália, e daí por toda a Europa, pelos séculos XV e XVI. Este movimento consagra o início dos tempos modernos. (Ex: Dierick Bouts, Domenico Ghirlandaio)

[FRÓIS, J. P.; GONÇALVES, R. M.; MARQUES, E. (2011) “Primeiro Olhar – Programa Integrado de Artes Visuais – Caderno do Professor”. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian. p 198]

RETRATO

O florescimento da arte do retrato é característico de certos períodos designados por humanísticos. Períodos em que “o homem é a medida de todas as coisas” e a sua arte se torna um tributo à humanidade do homem. (Ex: Domenico Ghirlandaio, Rembrandt).

[FRÓIS, J. P.; GONÇALVES, R. M.; MARQUES, E. (2011) “Primeiro Olhar – Programa Integrado de Artes Visuais – Caderno do Professor”. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian. p 198-199]

RITMO

Vem do grego ‘rhuthmos’, que significa movimento regular recorrente. O Ritmo é criado quando um ou mais elementos do desenho são usados repetidamente para criar uma sensação de movimento organizado. O Ritmo na Arte Visual cria um estado de espírito semelhante ao que acontece com a música ou a dança. Para manter o ritmo empolgante e ativo, a variedade é essencial.

Na música o ritmo melódico fixa a duração melódica. Nas artes visuais o ritmo unifica e organiza a diversidade espacial. O ritmo, em arte, é uma batida visual.

Um padrão tem ritmo, mas nem todo o ritmo é padronizado. Por exemplo, as cores de uma obra de arte podem transmitir o ritmo, fazendo com que o olhar do observador se mova de um componente para outro. As linhas podem produzir ritmo implicando movimento. A forma também pode causar ritmo, pela sua colocação lado a lado com outras formas.

Se os objetos na pintura fossem tambores, quanto mais o objeto se destacasse (maior atração visual) mais alta seria a batida. Se o espaço entre os objetos fosse silêncio então o olhar do observador a mover-se de um objeto para outro ao longo da obra de arte produziria a tal batida visual rufo - pausa - rufo, rufo - pausa - rufo.

A expressividade das linhas ou da cor, a forma como a tinta é aplicada (pinceladas curtas ou praticamente impercetíveis), tudo cria ou influencia o ritmo.

[BERGER, R. (1963) “Connaissance de la Peinture: Temps, Mouvement, Rythme”, Tomo VIII. Lausana: Novorop]; [FRÓIS, J. P.; GONÇALVES, R. M.; MARQUES, E. (2011) “Primeiro Olhar – Programa Integrado de Artes Visuais – Caderno do Professor”. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian. p 63]

ROXO

Ver Violeta.

S

SATURAÇÃO

Grau de uma cor que determina a sua pureza e a diferencia de outra de idêntico matiz. Uma cor pode afastar-se do matiz puro por adição de branco (tons claros) ou preto (tons escuros).

[Itten, J. (1997) “The Art of Color: The Subjective Experience and Objective Rationale of Color”. Nova-Iorque: John Wiley & Sons]

SÁTIROS

Génios da natureza incorporados no cortejo de Dioniso. Representados por figuras híbridas: metade superior humana e parte inferior animal, cavalo ou bode. Com o tempo, a parte animal reduziu-se à cauda. Perseguem as ménades e as ninfas, vítimas relutantes da sua lubricidade.

[FRÓIS, J. P.; GONÇALVES, R. M.; MARQUES, E. (2011) “Primeiro Olhar – Programa Integrado de Artes Visuais – Caderno do Professor”. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian. p 199]

SINÉDOQUE

Designação do todo a partir de uma das suas partes ou vice-versa.

[FRÓIS, J. P.; GONÇALVES, R. M.; MARQUES, E. (2011) “Primeiro Olhar – Programa Integrado de Artes Visuais – Caderno do Professor”. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian. p 199]

SINESTESIA

Conjugação de dados de diferentes sentidos. Exemplos: cor quente, cor gritante, som áspero. Este efeito de ordem psicológica está sujeito à lei da totalização, segundo a qual uma determinada perceção sensória é capaz de provocar reações nos demais sentidos, de modo a perfazer um conjunto sensório.

[FRÓIS, J. P.; GONÇALVES, R. M.; MARQUES, E. (2011) “Primeiro Olhar – Programa Integrado de Artes Visuais – Caderno do Professor”. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian. p 199]

SIGNO

Sinal, símbolo, aquilo que representa uma realidade distinta.

[CALADO, M.; SILVA, J. H. Pais da (2005) “Dicionário de Termos de Arte e Arquitetura”. Lisboa: Editorial Presença. p 332];

SIGNO CALIGRÁFICO

 Sinal de escrita manual. Foram muito usados na Idade Média e na Arte Muçulmana.

[CALADO, M.; SILVA, J. H. Pais da (2005) “Dicionário de Termos de Arte e Arquitetura”. Lisboa: Editorial Presença. p 71]

SIGNO TIPOGRÁFICO

Sinal/caráter de impressão tipográfica.

[Houaiss, A. (2011) “Dicionário do Português Atual”. Lisboa: Círculo de Leitores. p. 2264]

SÍMBOLO

Tudo o que é interpretado como signo. Imagem usada como sinal de uma coisa, personificação de uma ideia abstrata. Há um símbolo das cores, das formas, das plantas, dos animais ou das pedras preciosas. A partir do séc. XVIII a arte abandona o conceito de imitação da natureza e reivindica o seu papel de criadora da realidade. O símbolo torna-se então um mediador criativo de âmbitos da experiência acessíveis pelos sentidos.

[CALADO, M.; SILVA, J. H. Pais da (2005) “Dicionário de Termos de Arte e Arquitetura”. Lisboa: Editorial Presença. p 333]

SIMETRIA

É a correspondência exata das partes de uma composição de cada lado de uma linha axial, real ou fictícia, que passa pelo centro; este eixo mediano deve dividir a composição em duas partes iguais, que se repetem em sentido inverso.

[CALADO, M.; SILVA, J. H. Pais da (2005) “Dicionário de Termos de Arte e Arquitetura”. Lisboa: Editorial Presença. p 333]

SURREALISMO

Movimento poético e artístico que procurara revelar os dados do inconsciente, sob inspiração teórica da Psicanálise. Nas artes plásticas, recorre tanto à figuração como à abstração. O principal promotor foi o poeta francês André Breton que, em 1924, apresentou a sua primeira definição: “Automatismo psíquico puro pelo qual se procura exprimir, seja oralmente ou por escrito ou por qualquer outra maneira, o funcionamento real do pensamento – ditado do pensamento, na ausência de qualquer controlo exercido peça razão, fora de qualquer preocupação estética ou moral”. (Ex: Fernando Azevedo, Eurico Gonçalves)

[FRÓIS, J. P.; GONÇALVES, R. M.; MARQUES, E. (2011) “Primeiro Olhar – Programa Integrado de Artes Visuais – Caderno do Professor”. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian. p 199]

T

TÊMPERA

Pintura a têmpera, pintura feita com a mistura de cal e cola ou outras matérias de modo a que a mesma se torne firme.

[FRÓIS, J. P.; GONÇALVES, R. M.; MARQUES, E. (2011) “Primeiro Olhar – Programa Integrado de Artes Visuais – Caderno do Professor”. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian. p 199]

TEXTURA

A textura é uma característica da superfície de um objeto que sentimos através do tacto. Todos os objetos têm uma textura física.

Numa obra de arte bidimensional, os artistas também podem transmitir a sensação de textura visualmente. Assim, as texturas podem apresentar, ou insinuar, rugosidade, aspereza, suavidade, brilho, opacidade, homogeneidade e outas diferenciações passíveis de serem percebidas pelo tacto e/ou pela visão.

Numa obra de arte bidimensional, a textura transmite a sensação visual de como seria a sensação de tocar na vida real o objeto representado: duro, macio, áspero, liso, rugoso, afiado, etc. Nas obras de arte tridimensionais, os artistas usam a textura real para adicionar uma qualidade táctil ao seu trabalho.

Para representar a textura a duas dimensões os artistas usam a cor, a linha e as sombras.

[FRÓIS, J. P.; GONÇALVES, R. M.; MARQUES, E. (2011) “Primeiro Olhar – Programa Integrado de Artes Visuais – Caderno do Professor”. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian. p 20-22]; [BERGER, R. (1976) “El conocimiento de la pintura: El arte de comprenderla”, Vol. 2. Barcelona: Editorial Noguer]

TINTA

Tom, matiz. Uma tinta uniforme em toda a extensão chama-se tinta lisa. Diz-se, pelo contrário, que uma tinta é esbatida quando vai clareando.

[CALADO, M.; SILVA, J. H. Pais da (2005) “Dicionário de Termos de Arte e Arquitetura”. Lisboa: Editorial Presença. p 356]

TONALIDADE

Tom predominante de uma pintura. Gradação do mesmo tom.

[CALADO, M.; SILVA, J. H. Pais da (2005) “Dicionário de Termos de Arte e Arquitetura”. Lisboa: Editorial Presença. p 358]

TRECENTO

Período da arte italiana correspondente ao séc. XIV.

[CALADO, M.; SILVA, J. H. Pais da (2005) “Dicionário de Termos de Arte e Arquitetura”. Lisboa: Editorial Presença. p 364]

TROMPE-L'OEIL

Termo francês que significa engano da visão. Originalmente designava toda a pintura que desse a ilusão da realidade; que levasse o espectador (ainda que por breves momentos) a pensar que a pintura era um objeto real em vez de uma representação bidimensional. Pintura típica de períodos em que o naturalismo era cultivado, tais como a Antiguidade Clássica e o Renascimento italiano. Pintura ilusionista, característica do Barroco (Andrea Pozzo) e Rococó (Tiepolo) que projeta os objetos representados para além da superfície pintada, imitando, por exemplo, um céu povoado de figuras. Pintura imitando relevos em estuque, usada no período neoclássico e subsequentes.

[CALADO, M.; SILVA, J. H. Pais da (2005) “Dicionário de Termos de Arte e Arquitetura”. Lisboa: Editorial Presença. p 367]; [CHILVERS, I.; FARR, D.; OSBORNE, H. (1997) “The Oxford Dictionary of Art”. Oxford: Oxford University Press. p 870]

U

UNICÓRNIO

Animal fabuloso, normalmente representado como um cavalo com um corno na cabeça.

[CALADO, M.; SILVA, J. H. Pais da (2005) “Dicionário de Termos de Arte e Arquitetura”. Lisboa: Editorial Presença. p 370]

UNIDADE (MÚLTIPLA - INTEGRAL)

A unidade é a sensação de harmonia entre todas as partes da obra de arte, que cria uma sensação de completude.

Numa obra de arte é considerado haver multiplicidade quando as partes são distintas, cada uma com a sua cor local própria, individualizada de modo absoluto, dando a impressão de poder ser deslocável sem perda de identidade nem modificação imediata do modo de representação das outas partes do quadro.

É considerado haver unidade integral quando as partes, fundidas umas com as outras, estão impedidas de qualquer deslocação, pois imediatamente interferem com as outras, nomeadamente quanto aos efeitos de claro-escuro.

[FRÓIS, J. P.; GONÇALVES, R. M.; MARQUES, E. (2011) “Primeiro Olhar – Programa Integrado de Artes Visuais – Caderno do Professor”. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian. p 23]

URNA

Vaso funerário onde os antigos conservavam as cinzas dos mortos. Podem ter as mais diversas formas (redondas, ovais, lisas, estriadas) e ser de vários materiais: ouro, bronze, pedra ou cerâmica.

[CALADO, M.; SILVA, J. H. Pais da (2005) “Dicionário de Termos de Arte e Arquitetura”. Lisboa: Editorial Presença. p 370]

ULTRAMARINO, AZUL

Cor azul, importada dos países do Ultramar, isto é, do levante, das Índias Orientais, extraído do lápis-lazúli. O azul-ultramarino era, após o ouro, a cor mais apreciada pelos iluminadores de manuscritos. O ultramarino natural, que era muito caro, foi substituído pelo ultramarino químico, descoberto pelo químico Guimet.

[CALADO, M.; SILVA, J. H. Pais da (2005) “Dicionário de Termos de Arte e Arquitetura”. Lisboa: Editorial Presença. p 371]

UOMO UNIVERSALE

Homem mental e fisicamente superior, instruído em diversas áreas das letras, artes e ciências, modelo do Renascimento.

[CALADO, M.; SILVA, J. H. Pais da (2005) “Dicionário de Termos de Arte e Arquitetura”. Lisboa: Editorial Presença. p 370]

V

VALOR

Grau de aproximação de uma cor ao branco. O mais alto valor cromático é o branco; o mais baixo é o preto.

Em pintura, é a quantidade de claro ou de sombra que se encontra contida num tom. O valor opõe-se à cor. À medida que o princípio colorante diminui num tom, o elemento valor, constituído pela proporção de claro e de escuro, tende a predominar. Nas pinturas monocromáticas ele é, naturalmente, o único a estar presente.

[CALADO, M.; SILVA, J. H. Pais da (2005) “Dicionário de Termos de Arte e Arquitetura”. Lisboa: Editorial Presença. p 372]; [FRÓIS, J. P.; GONÇALVES, R. M.; MARQUES, E. (2011) “Primeiro Olhar – Programa Integrado de Artes Visuais – Caderno do Professor”. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian. p 199]

VALORES TÁCTEIS

Expressão criada pelo historiador de arte Bernard Berenson na obra “Florentine Painters of the Renaissance” (1896) para exprimir a sugestão, em pintura, de relevo e textura, por meio da cor e da linha. Ele considerava que, depois da Antiguidade foi Giotto o primeiro pintor a demonstrar essa capacidade, que ele considerava característica da pintura florentina.

[CALADO, M.; SILVA, J. H. Pais da (2005) “Dicionário de Termos de Arte e Arquitetura”. Lisboa: Editorial Presença. p 372]

VALORES TONAIS

Gradações de tom do luminoso ao escuro, observáveis em qualquer objeto sólido sob incidência da luz. Os valores tonais são independentes da cor local e percebem-se melhor semicerrando os olhos para que os efeitos de cor diminuam. Visto que é impossível dar todas as gradações com pigmentos, é necessária a maior habilidade para saber quando os tons devem ser modificados, suprimidos ou exagerados para manter a unidade da pintura.

[CALADO, M.; SILVA, J. H. Pais da (2005) “Dicionário de Termos de Arte e Arquitetura”. Lisboa: Editorial Presença. p 372]

VANGUARDA

Designação que foi aplicada às artes a partir do séc. XIX, para classificar os artistas ou grupos que se destacam da arte académica e apresentam tendências revolucionárias. O conceito de vanguarda tende a coincidir com o de modernidade.

[CALADO, M.; SILVA, J. H. Pais da (2005) “Dicionário de Termos de Arte e Arquitetura”. Lisboa: Editorial Presença. p 372]

VANITAS

Expressão retirada do Eclesiastes (1:2), “Vanitas, vanitatum, omnia vanitas”, que se refere a naturezas-mortas populares nos países protestantes, destinadas a demonstrar a transitoriedade da vida humana e a passagem do Tempo. Entre os objetos representados contam-se caveiras, espelhos, borboletas, flores, velas, livros.

[CALADO, M.; SILVA, J. H. Pais da (2005) “Dicionário de Termos de Arte e Arquitetura”. Lisboa: Editorial Presença. p 372]

VASO

Recipiente de forma e usos muito variados, que primeiro imita o corpo humano como testemunham os nomes de colo, garganta, pança, que designam as suas diferentes partes. Era natural dar forma humana às urnas nas quais se encerravam os mortos.

[CALADO, M.; SILVA, J. H. Pais da (2005) “Dicionário de Termos de Arte e Arquitetura”. Lisboa: Editorial Presença. p 374]

VELATURA

Camada leve de cor aplicada na técnica da pintura a óleo para velar e tornar transparentes os tons das camadas inferiores.

[CALADO, M.; SILVA, J. H. Pais da (2005) “Dicionário de Termos de Arte e Arquitetura”. Lisboa: Editorial Presença. p 375]

VERDE

É uma cor secundária formada pela mistura do amarelo com o azul, geralmente à base de óxido de cobre. É uma cor fria. A cor complementar é o Vermelho. O Verde alivia o stress e faz lembrar a Natureza. A gama dos matizes compreende o verde-mar, o verde-esmeralda, o verde-maçã, o verde-nilo, etc.

[CALADO, M.; SILVA, J. H. Pais da (2005) “Dicionário de Termos de Arte e Arquitetura”. Lisboa: Editorial Presença. p 375]

VERISMO

Designa uma forma extrema de realismo, em que o objetivo do artista é reproduzir com verdade a exata aparência do seu tema, sem qualquer idealização ou interpretação imaginativa. O termo tanto pode ser aplicado ao retrato romano esculpido como a uma obra surrealista que pretenda reproduzir uma alucinação até ao mais pequeno pormenor.

[CALADO, M.; SILVA, J. H. Pais da (2005) “Dicionário de Termos de Arte e Arquitetura”. Lisboa: Editorial Presença. p 375-376]

VERMELHO

É uma cor primária. É uma cor quente. A cor complementar é o Verde. O Vermelho provoca sensações de amor, calor, conforto. Distinguem-se os vermelhos minerais, à base de óxido de ferro (ocres), de chumbo (‘miniuns’), ou de mercúrio (vermilhão); os vermelhos vegetais, extraídos da garança, ou de origem animal, como a cochonilha, que serve para preparar o carmim. Os diferentes matizes desta cor formam uma gama rica: púrpura, carmim, encarnado, alaranjado, rosa, bordeaux, da cor das chagas, salmão.

[CALADO, M.; SILVA, J. H. Pais da (2005) “Dicionário de Termos de Arte e Arquitetura”. Lisboa: Editorial Presença. p 376]

VÍDEO ARTE

Utilização da tecnologia da televisão e do vídeo em obras de arte. Surgiu no início dos anos 60 do século XX, na Europa e EUA e atravessa as grandes correntes da época, incluindo a Performance e o Minimalismo. Entre os primeiros produtores estão Nam June Paik e Wolf Vostell. Lança um olhar crítico sobre a sociedade e a televisão oficial. As imagens são fixas ou em movimento, tratadas eletronicamente ou realizadas por computador. Nos anos 80 do século XX, surge o primeiro festival de arte vídeo. As instalações vídeo, vídeo-esculturas e vídeo-ambientes utilizam vários monitores colocados entre diversos objetos e difundindo uma ou várias bandas.

[CALADO, M.; SILVA, J. H. Pais da (2005) “Dicionário de Termos de Arte e Arquitetura”. Lisboa: Editorial Presença. p 377]

VINHETAS

Ornamento de folhagem que preenche espaços num manuscrito ou num livro impresso. Originalmente representavam-se os sarmentos das videiras. Como estes ornamentos em forma de folhagem de vinha estilizada serviam na Idade Média para decorar as margens dos manuscritos, o termo foi aplicado aos enquadramentos de miniaturas. Por extensão, o termo passou para as pequenas gravuras de ilustração de livros impressos: gravuras ornamentais ou mesmo temas que nada têm de comum com a pequena vinha original. A vinheta é sempre uma gravura de ilustração incorporada no livro; por isso se distingue da estampa que pode ser uma gravura isolada.

[CALADO, M.; SILVA, J. H. Pais da (2005) “Dicionário de Termos de Arte e Arquitetura”. Lisboa: Editorial Presença. p 380]

VIOLETA

É uma cor secundária formada pela mistura do vermelho com o azul. É uma cor fria. A cor complementar é o Amarelo. O Violeta / Roxo pode significar realeza ou riqueza. Insígnia da dignidade episcopal como a púrpura é a insígnia dos cardeais.

[CALADO, M.; SILVA, J. H. Pais da (2005) “Dicionário de Termos de Arte e Arquitetura”. Lisboa: Editorial Presença. p 380]

VITRAL

Decoração transparente formada por fragmentos de vidro pintado, fixados numa rede de chumbo. A armação é formada por hastes cujas extremidades são fixadas na alvenaria. O vitral foi usado nas janelas das igrejas desde o século IV, mas foi na Idade Média que a técnica se desenvolveu, primeiro em composições geométricas, e a partir de meados do séc. XI em composições figurativas. Há dois grandes períodos na história do vitral. No séc. XII e XIII os vitrais são mosaicos transparentes; no fim da Idade Média e sobretudo no Renascimento tornam-se verdadeiros quadros de vidro.

[CALADO, M.; SILVA, J. H. Pais da (2005) “Dicionário de Termos de Arte e Arquitetura”. Lisboa: Editorial Presença. p 380-381]

VOLUME

Espaço ocupado por uma edificação ou por qualquer corpo tridimensional. Nas obras de arte bidimensionais é o espaço preenchido por um objeto ou figura.

[CALADO, M.; SILVA, J. H. Pais da (2005) “Dicionário de Termos de Arte e Arquitetura”. Lisboa: Editorial Presença. p 382]

VOTIVO

Diz-se de um monumento ou quadro oferecido em cumprimento de um voto. Aí se vê frequentemente o retrato dos doadores.

[CALADO, M.; SILVA, J. H. Pais da (2005) “Dicionário de Termos de Arte e Arquitetura”. Lisboa: Editorial Presença. p 383]

VULTO, ESCULTURA DE

Escultura em pleno relevo, inteiramente destacada, à volta da qual se pode circular. Opõe-se ao relevo.

[CALADO, M.; SILVA, J. H. Pais da (2005) “Dicionário de Termos de Arte e Arquitetura”. Lisboa: Editorial Presença. p 383]

X

XILOGRAVURA

Técnica de gravura em madeira, que consiste em imprimir com pranchas de madeira gravadas em relevo. Utilizam-se tábuas de dureza média, talhadas no sentido da textura das fibras. O desenho é obtido retirando algumas zonas da superfície, de modo a criar um relevo, pronto para receber tinta. Esta técnica foi inventada na China, no séc. IX, e usada na Europa a partir do séc. XV.  Em finais do séc. XVIII, em Inglaterra, Thomas Bewick inventou um processo designado por ‘wood engraving’, em que a gravação era feita numa tábua de maior dureza, cruzando a textura das fibras com auxílio de um buril e de outros instrumentos. Esta técnica permite diferentes níveis de relevo, de modo que a pressão não é igual, produzindo efeitos de maior subtileza.

[CALADO, M.; SILVA, J. H. Pais da (2005) “Dicionário de Termos de Arte e Arquitetura”. Lisboa: Editorial Presença. p 385]

XOANA, XOANON

Estátua feminina em madeira, da Grécia arcaica. Era talvez revestida a ouro. A perna esquerda pode aparecer ligeiramente avançada em relação à direita, primeiro sinal de movimento. Estas estátuas arcaicas estreitamente subordinadas à lei da frontalidade, geralmente têm as pernas soldadas uma à outra e os braços colados ao longo dos flancos até às coxas.

[CALADO, M.; SILVA, J. H. Pais da (2005) “Dicionário de Termos de Arte e Arquitetura”. Lisboa: Editorial Presença. p 385]

Z

ZIGUEZAGUE

Ornato que consiste numa série de linhas quebradas segundo ângulos agudos.

[CALADO, M.; SILVA, J. H. Pais da (2005) “Dicionário de Termos de Arte e Arquitetura”. Lisboa: Editorial Presença. p 387]

ZINCOGRAFIA

Técnica de imprimir gravuras por meio de placas de zinco. Foi inventada por Firmin Gillot, litógrafo francês (1819-1872).

[CALADO, M.; SILVA, J. H. Pais da (2005) “Dicionário de Termos de Arte e Arquitetura”. Lisboa: Editorial Presença. p 387]

ZOOMÓRFICO

Ornato inspirado em fauna real ou fabulosa, em forma de animal estilizado, em oposição à ornamentação geométrica ou vegetal.

[CALADO, M.; SILVA, J. H. Pais da (2005) “Dicionário de Termos de Arte e Arquitetura”. Lisboa: Editorial Presença. p 388]

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