O "Primeiro Olhar - Programa Integrado de Artes Visuais" é uma iniciativa da Fundação Calouste Gulbenkian (FCG) que visa promover ações educativas no Museu Calouste Gulbenkian e no Centro de Arte Moderna – José de Azeredo Perdigão (CAM) desenvolvendo múltiplos aspectos da experiência estética e artística nas artes visuais, envolvendo crianças e adultos.
O Programa inspirou-se no modelo Discipline-Based Art Education (DBAE) advogado pelo Getty Education Institute for the Arts e está suportado na prática dos Ateliers de Expressão Plástica, Criatividade e os Computadores do Centro Artístico Infantil (CAI) da FCG.
Inicialmente, quando foi criado em 1997 pelo Serviço de Educação da Fundação Calouste Gulbenkian, destinava-se exclusivamente a crianças, mas em 1999 estendeu-se também a adultos iletrados numa tentativa de fazer chegar as artes visuais a todos os públicos.
Em Fevereiro de 2003 foi apresentado o livro "Primeiro Olhar", da autoria de Rui Mário Gonçalves, João Pedro Fróis e Elisa Marques, que resultou da sistematização da experiência do Programa, desenvolvido no âmbito do protocolo de cooperação celebrado entre a Unidade de Investigação Educação e Desenvolvimento da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa e a Fundação Calouste Gulbenkian.
Mais do que um livro, o "Primeiro Olhar" é um recurso pedagógico no âmbito da educação estética e artística, destinado a educadores de todos os graus de ensino, que contém propostas relativas à pedagogia das artes visuais e à educação em contexto dos museus de arte. Por isso mesmo, tem a designação de "Caderno do Professor".
"O Programa Primeiro Olhar procura abrir algumas portas que dão acesso ao prodigioso universo das obras de arte, para que cada pessoa, desde a infância, possa usufruir a riqueza espiritual nelas acumulada. O título do Programa fala em olhar, não em fazer. De facto, o Programa ocupa-se menos da atividade oficinal e mais da usufruição, ambicionando que esta se processe de modo tão inteligente e sensível quanto possível. (...) Neste Programa, a atividade oficinal pretende simplesmente satisfazer o desejo espontâneo das crianças que, ao apreciarem as obras dos Mestres, querem praticar. Como dizia o pintor Edgar Degas, um bom desenho é aquele que dá vontade de desenhar também. As atividades previstas para estes momentos de vontade de expressão, que se não deve reprimir, antes pelo contrário, são propositadamente elementares, acessíveis às crianças mais novas (e aos adultos inexperientes no âmbito das artes), porém, sem nenhum culto infantilista." (*)
O Programa “Primeiro Olhar” engloba quatro áreas de estudo integradas, através das quais os diferentes aspetos subjacentes às próprias obras de arte e à educação estética visual podem ser estudados e explorados:
■ Filosofia da arte
■ História da Arte
■ Crítica de Arte
■ Criação Plástica
O Programa integra 8 roteiros temáticos (percursos) com trinta e quatro obras de arte selecionadas a partir das coleções do Museu Gulbenkian e do Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão.
Estas obras de arte representam diferentes culturas, épocas e modalidades expressivas. Deste modo, foi possível criar unidades temáticas por percurso, tais como retrato, ilustração, figuração, código cromático, forma e signo, volume, espaço, metamorfose e metáfora.
Oito Percursos
Processo Comparativo
O método comparativo é largamente utilizado numa dimensão investigativa. As obras de arte são comparadas com a intenção de serem encontradas semelhanças e diferenças, formais, estilísticas e temáticas.
Na escola, com o professor, ou no espaço da FCG com monitores, os participantes trabalham 34 reproduções de obras de arte do espólio da Gulbenkian – pintura, desenho ou escultura – da pré-história à modernidade.
A comparação entre duas obras no contexto de cada percurso constitui a motivação para um diálogo argumentativo que facilita a compreensão e a expressão.
Os participantes observam, comparam e, com a ajuda dos monitores e professores, procuram chegar a conclusões sobre as temáticas, os estilos e os aspetos formais das obras. Primeiro olham, depois é que começam a ver e há sempre coisas novas que vão descobrindo.
"A estratégia educativa, desenvolvida através do diálogo, centra-se num processo amplo de debate e problematização do conteúdo global das obras, de modo a levar os sujeitos à descoberta progressiva dos seus elementos estruturais, permitindo uma construção do conhecimento, através de um exercício de argumentação sistemático, e de situações dilemáticas." (*)
O Primeiro Olhar - Programa Integrado de Artes Visuais segue um modelo desenvolvido pelo crítico de arte Rui Mário Gonçalves; um modelo que pode vir a ser aplicado em qualquer outro museu, considera Natália Pais, antiga Diretora do Serviço de Educação da FCG.
O "Primeiro Olhar" só termina quando as crianças têm a oportunidade de ver "ao vivo" as obras e objetos que trabalharam. O último dia é dedicado a visitar o Centro de Arte Contemporânea da FCG e o Museu.
(*)
Fonte | GONÇALVES, Rui Mário; FRÓIS, João Pedro; MARQUES, Elisa. (2002). Primeiro Olhar – Programa Integrado de Artes Visuais. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, p. 13, 16 e 69.
Fonte | Revista Noésis nº 52
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