No âmbito do Programa de Educação Estética e Artística (PEEA), a Direção-Geral da Educação (DGE) estabeleceu um protocolo de cooperação na área do teatro infantil e juvenil, com a Organização dos Estados Ibero-americanos (OEI).
O "Projecto de Teatro Infantil e Juvenil" destinado a crianças e jovens de todos os níveis de ensino, procura enfatizar a ligação dos públicos escolares com as Companhias de Teatro Portuguesas e a formação de docentes de todos os grupos disciplinares.
O objetivo é promover, de uma forma sistemática e articulada, a cooperação entre as companhias de teatro e as instituições escolares.
Integrada nesta parceria ocorreu também a participação da Companhia do Teatro Nacional D. Maria II (TNDMII) no Festival Ibero-americano de Teatro Infantil e Juvenil realizado no México, em 2014.
No âmbito deste acordo, a Equipa de Educação Artística (EEA) desenvolveu as seguintes ações:
■ Promoção a articulação entre o Ministério da Educação e Ciência e o Secretário de Estado da Cultura;
■ Supervisionamento dos aspetos pedagógicos, no que diz respeito à peça que o TNDMII levou ao México, realizando reuniões conjuntas com o referido Teatro;
■ Realização de curso de formação de formadores na área do Teatro a nível regional;
■ Realização de cursos de formação de docentes de vários grupos disciplinares, a nível nacional, e de técnicos dos serviços educativos das companhias de teatro;
■ Deslocação ao teatro de alunos dos Agrupamentos de Escolas envolvidos no PEEA (uma vez por trimestre);
■ Deslocação de atores aos Agrupamentos de Escolas envolvidos no PEEA (uma vez por trimestre);
■ Workshops ou oficinas de formação em teatro para docentes, no Teatro Nacional D. Maria II.
Leituras Encenadas
No âmbito da deslocação de atores aos Agrupamentos de Escolas envolvidos no PEEA, atores da Companhia do Teatro Nacional D. Maria II deslocaram-se a vários Agrupamentos de Escolas, distribuídos por todo o país, para partilhar uma edição das "Leituras encenadas", a partir das obras:
■ "A Gaveta das Histórias"
Encenação a partir do livro de contos de Maria Alberta Menéres.
■ "Lá de cima cá de baixo"
Encenação a partir do livro de António Mota.
■ "Se tu visses o que eu vi"
Encenação a partir do livro de António Mota.
A leitura encenada do livro de contos "A Gaveta das Histórias", cuja 1ª edição remonta a 1995, parte da imagem de uma gaveta vulgar que se revela afinal um lugar mágico, onde histórias divertidas nos podem fazer sonhar, imaginar e criar.
As crianças e docentes participaram ativamente na encenação desta história e destacaram a mais-valia do diálogo que se gerou com os atores.
Cerca de 280 crianças de 10 Agrupamentos de Escolas participaram n "A Gaveta das Histórias":
■ Agrupamento de Escolas Aquilino Ribeiro
Oeiras
■ Agrupamento de Escolas de Canas de Senhorim
Canas de Senhorim
■ Agrupamento de Escolas da Caparica
Almada
■ Agrupamento de Escolas Fernando Casimiro
Rio Maior
■ Agrupamento de Escolas da Junqueira
Vila do Conde
■ Agrupamento de Escolas Marinhas do Sal
Rio Maior
■ Agrupamento de Escolas Paulo Quintela
Bragança
■ Agrupamento de Escolas Rafael Bordalo Pinheiro
Caldas da Rainha
■ Agrupamento de Escolas de Vialonga
Vila Franca de Xira
■ Agrupamento de Escolas de Vila Nova de Paiva
Vila Nova de Paiva
A partir dos textos "Se tu visses o que eu vi" e "Lá de cima cá de baixo", as atrizes brincaram com as palavras, gerando rimas e ritmos divertidos, criaram situações inusitadas, de "nonsense", que agradaram tanto às crianças como aos adultos. No final os meninos fizeram perguntas acerca do autor, das atrizes, dos textos, pediram mais vezes "Teatro na Escola" e encheram o recreio de palavras com ritmos e rimas ouvidas e inventadas.
Recolhemos um depoimento da professora Ana Luísa que esteve presente na sessão para alunos do 3º e 4º anos de escolaridade do Agrupamento de Escolas Emídio Garcia de Bragança, que partilhou o entusiasmo das crianças ao "verem de perto" as atrizes do TNDMII, Lita Pedreira e Maria Jorge.
Cerca de 287 crianças de 6 Agrupamentos de Escolas participaram em "Se tu visses o que eu vi" e "Lá de cima cá de baixo":
■ Agrupamento de Escolas de Canas de Senhorim
Canas de Senhorim
■ Agrupamento de Escolas Dr. Carlos Pinto Ferreira
Vila do Conde
■ Agrupamento de Escolas Emídio Garcia
Bragança
■ Agrupamento de Escolas Gualdim Pais
Pombal
■ Agrupamento de Escolas Marinhas do Sal
Rio Maior
■ Agrupamento de Escolas de Vila Nova de Paiva
Vila Nova de Paiva
Curso de Formação na Área do Teatro
De acordo com o compromisso estabelecido com a Organização dos Estados Ibero-americanos (OEI), decorreram vários cursos de formação na área do Teatro para docentes.
São objetivos desta formação:
■ A valorização do teatro como forma de arte;
■ A promoção do contacto direto com um conjunto de práticas teatrais;
■ O incentivo a um contacto mais próximo com os públicos escolares, articulando a relação entre a Educação e a Cultura;
■ O conhecimento de diferentes correntes dramatúrgicas portuguesas, clássicas e contemporâneas;
■ A valorização dos conteúdos curriculares de diferentes disciplinas nos vários níveis de ensino.
Assim, têm sido levadas a efeito, a nível nacional, várias ações de formação de docentes e de técnicos dos serviços educativos das Companhias de Teatro, entre outros profissionais.
A acção de formação encontra-se acreditada pelo Conselho Cientifico-Pedagógico da Formação Contínua, que releva para efeitos de progressão na carreira de Educadores de Infância, Professores dos Ensinos Básico e Secundário e Professores de Educação Especial.
Os cursos decorrem em vários distritos, em conjunto com várias Companhias de Teatro profissionais e os respetivos departamentos educativos. Pretende-se, assim, enfatizar a cooperação e a ligação dos públicos escolares com as Companhias de Teatro Portuguesas e a formação de docentes de todos os grupos disciplinares, visando os seguintes objetivos:
■ Promover os valores da educação através de ações centradas no teatro como recurso educativo e na difusão do repertório teatral clássico e contemporâneo;
■ Facilitar o intercâmbio de informação e trabalho colaborativo entre Agrupamentos de Escolas, instituições e membros da sociedade civil que desenvolvam ações que favoreçam a integração do teatro na educação;
■ Possibilitar às crianças e jovens o contacto com manifestações cénicas.
O curso está organizado em sessões teórico-práticas a desenvolver nos espaços próprios de cada Companhia e é cofinanciado pela OEI, pelo que a inscrição e frequência são gratuitas.
Numa primeira fase, os cursos envolveram duas centenas de formandos e tiveram lugar nas seguintes Companhias de Teatro:
■ A Barraca | site
Lisboa
■ Acert | site
Tondela
■ Acta - A Companhia de Teatro do Algarve | site
Faro
■ Baal 17 | site
Serpa
■ Cendrev - Centro Dramático de Évora | site
Évora
■ Comédias do Minho | site
Minho
■ CTA - Companhia de Teatro de Almada | site
Almada
■ CTB - Companhia de Teatro de Braga | site
Braga
■ O Teatrão | site
Coimbra
■ Teatro da Terra | site
Ponte de Sor
■ Teatro de Montemuro | site
Montemuro
■ Teatro do Bolhão | site
Porto
■ Teatro do Mar | site
Sines
■ Teatro do Vestido | site
Lisboa
■ Teatro Extremo | site
Almada
■ Teatro Municipal de Bragança | site
Bragança
■ Til - Teatro Infantil de Lisboa | site
Lisboa
■ Teatro Viriato | site
Viseu
A Porta
Cerca de 436 alunos do 1º e do 2º ciclo, de 4 Agrupamentos de Escolas, tiveram a oportunidade de assistir, no Teatro Nacional D. Maria II (TDMII), ao espetáculo "A Porta", de José Fanha, com encenação de João Mota:
■ Agrupamento de Escolas Almeida Garrett
Amadora
■ Agrupamento de Escolas Ordem de Santiago
Setúbal
■ Agrupamento de Escolas de Vouzela e Campia
Vouzela
■ Agrupamento de Escolas Póvoa de Santa iria
Vila Franca de Xira
De acordo com a sinopse da peça, "Uma menina e os pais chegam, de malas feitas, a uma casa nova. Mas a casa nova não tem paredes, nem teto, nem nada.
Apenas uma porta. - Uma porta é um bom começo! - disse logo o pai, que era um sonhador. Mas a mãe ficou muito aflita. - E onde é que está a cozinha, a sala, o quarto?!
Tudo estava por inventar naquela casa que ainda só tinha uma porta.
No entanto, essa não era uma porta vulgar. Abria para um mundo mágico onde viviam e vivem os novos vizinhos: o Grande Espinafre, a Bruxonauta, a Princesa Princesinha e o Xico Parafuso. Gente muito invulgar mas cheia de vontade de ajudar, embora nem sempre essas ajudas resultem da melhor maneira. Basta lembrar os bruxedos falhados da Bruxonauta, das tentativas do Xico Parafuso de pregar as pessoas ao chão e os ponteiros ao relógio, ou do esparguete que não pára de crescer na horta do Grande Espinafre.
É assim que, de um lado e do outro da porta, se confrontam como dois espelhos, a realidade que se mostra pouco real e a magia que alarga e ameniza o mundo. Entre os dois, a casa vai crescendo como um espaço caloroso onde cabe a amizade, o amor e o sonho, ou seja, a grande aventura da vida.
Com um percurso dedicado à literatura para a infância e juventude (e não só), empenhado no incentivo à leitura, José Fanha assina uma história onde os valores do ser humano são protagonistas."
Joaninha dos Olhos Verdes
Cerca de 237 alunos do 3º ciclo e secundário, de 5 Agrupamentos de Escolas, deslocaram-se ao Teatro Nacional D. Maria II para assistirem ao espectáculo "Joaninha dos Olhos Verdes", de António Torrado, com versão cénica e encenação de João Mota:
■ Agrupamento de Escolas Almeida Garrett
Amadora
■ Agrupamento de Escolas Ordem de Santiago
Setúbal
■ Agrupamento de Escolas de S. Pedro do Sul
Viseu
■ Agrupamento de Escolas de Vouzela e Campia
Vouzela
■ Agrupamento de Escolas Póvoa de Santa iria
Vila Franca de Xira
A oportunidade de virem ao teatro e a Lisboa, foi um motivo de enorme satisfação para alunos e professores, pois segundo alguns estudantes a sua "(…) escola está perdida na região centro do país e pouco mais de meia dúzia de alunos alguma vez teve contacto com o teatro." (alunos do 11º B, AE Vouzela e Campia).
Livremente inspirada no episódio romanesco das "Viagens na minha Terra" de Almeida Garrett, esta peça tem como destinatário principal a juventude de hoje, que nela pode encontrar motivos de identificação com muitos dos seus dilemas atuais. Os primeiros amores, as opções de vida, os confrontos com as gerações precedentes são, entre outros, os conflitos de suporte da peça.
Carlos encontra na prima Joaninha a sua Ofélia, mas ao amor que desponta opõe-se a figura de aparência sinistra de um frade ou ex-frade, resistente a todas as mudanças. Que levará Frei Dinis a semelhante obsessão?
O liberalismo de Carlos obriga-o ao exílio. Quando regressa tudo se alterara no seu pequeno núcleo familiar. O drama com rasgos de melodrama já passara por ali.
Mas tudo acabará em bem, isto é, na glorificação irónica da nova nobreza, quando o antigo revolucionário Carlos for, pressuroso, ocupar o seu lugar no coro dos recém-nobilitados barões.
No final do espetáculo os participantes ainda refletiram, em conjunto com o encenador e o elenco, tendo manifestado como momentos mais significativos a proximidade que tiveram com os atores, referindo que estes momentos lhes fizeram ver o teatro "com outros olhos".
Foi pedida aos alunos uma reflexão crítica que atendesse à intencionalidade dramatúrgica, aos aspetos relacionados com a construção do espetáculo, à abordagem da noção de personagem e às relações estabelecidas entre os vários elementos desta composição, tentando evitar uma descrição simplista da história narrada.
A partir dos trabalhos recebidos, foi possível verificar a forma como os alunos apreenderam os marcos temporais e espaciais, que na sua opinião foram "(…) brilhantemente representados, de uma forma minimalista, mas que poderiam progredir conforme a mente e imaginação do auditório." (alunos do 11º, AE S. Pedro do Sul). É de referir que relativamente à construção do espetáculo, os alunos destacam um "‘não objeto’, que acaba por ser uma carpete invisível que é retirada e reposta várias vezes por dois homens fazendo parecer as mudanças de cenários de Inglaterra para Portugal e vice-versa" (alunos do 11º B, AE S. Pedro do Sul).
Também a evolução das personagens é, por eles, revelada de uma forma clara, referindo que, ao longo do espetáculo, "(…) a composição das personagens, que no início nos parecem simples e planas, ao longo da peça se vão tornando complexas e modeladas, cheias de características que as vão enriquecendo." (alunos do 8º I, AE Póvoa de Santa Iria). Um outro grupo de alunos acrescenta que, em consequência da relação que havia entre as personagens, os atores mudavam a sua atitude, transmitindo ao público a veracidade das emoções sentidas. Segundo o mesmo grupo, à medida que o espaço se alterava, também agiam de maneira diferente, consoante o contexto em que se encontravam, levando o público a sentir que tinha sido transportado para um local diferente.
Festival Ibero-americano de Teatro Infantil e Juvenil
A Equipa de Educação Artística (EEA) da Direção-Geral da Educação (DGE) representou o Ministério da Educação e Ciência na reunião integrada no Festival Ibero-americano de Teatro Infantil e Juvenil na cidade do México, em 29 de agosto de 2014, aquando da XXIV Conferência Ibero-americana de Educação e da XVII Conferência Ibero-americana de Cultura.
Para além da representação de Portugal, estiveram presentes os responsáveis dos Ministérios da Educação e da Cultura do México, Uruguai, Cuba, Brasil, Costa Rica, El Salvador, Bolívia, Chile, Argentina, Perú, Equador, Honduras, Nicarágua, Paraguai, R. Dominicana, Guatemala, Chile. Participaram ainda na referida reunião os diretores de Teatros Nacionais de cada país e outras instituições envolvidas no "Projeto de Teatro Infantil e Juvenil" da Organização dos Estados Ibero-americanos (OEI), designadamente: Uruguai, Panamá, República Dominicana, Honduras, Argentina, Equador, Cuba, Colômbia, Nicarágua, Peru, Espanha, Portugal, Bolívia, Paraguai, Guatemala e Brasil.
Na reunião procedeu-se essencialmente ao balanço do trabalho realizado em cada um dos países. Neste contexto, a coordenadora da EEA, Elisa Marques e o Diretor Artístico do Teatro Nacional D. Maria II, João Mota, apresentaram as ações desenvolvidas no âmbito do protocolo assinado entre a OEI e a DGE, destacando-se as seguintes:
■ Vinda de cerca de 670 alunos e 64 professores de vários Agrupamentos de Escolas do país ao Teatro Nacional D. Maria, para assistir às peças "Joaninha dos Olhos Verdes", destinada ao 3º ciclo e secundário, e a "Porta", destinada ao 1º e 2 ciclos;
■ Deslocação dos atores a vários Agrupamentos de Escolas, no âmbito das "Leituras encenadas";
■ Organização do Curso de Formação em Teatro para docentes.
Nesta apresentação foram ainda enumeradas as atividades conjuntas realizadas até agosto com as seguintes Companhias de Teatro:
■ A Barraca
Lisboa
■ Acta - A Companhia de Teatro do Algarve
Faro
■ Cendrev - Centro Dramático de Évora
Évora
■ CTA - Companhia de Teatro de Almada
Almada
■ CTB - Companhia de Teatro de Braga
Braga
■ Teatro Extremo
Almada
■ Teatro Nacional D. Maria II
Lisboa
■ Til - Teatro Infantil de Lisboa
Lisboa
Os representantes dos vários países foram unânimes em reconhecer que o "Projeto de Teatro Infantil e Juvenil" tem sido um forte incentivo no estreitamento de relações entre as Instituições Escolares e as Instituições Culturais - Teatros Nacionais e Companhias de Teatro.
Fontes | Teatro Nacional D. Maria II e DGE
Este site foi otimizado para os seguintes browsers e versões superiores: Firefox 11 para Mac OS e Windows | Internet Explorer 10 para Windows | Apple Safari 5 para Mac OS | Chrome para Mac OS e Windows